Ebola no Congo chega a 5.026 mortes e vira o segundo surto mais letal da história

O surto de ebola na República Democrática do Congo já deixou 5.026 mortos entre 10.351 pessoas infectadas, segundo dados do Ministério da Saúde do país divulgados no sábado (31). Outras 2.788 pessoas se recuperaram da doença.
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A taxa de letalidade está em quase 50%. Causado pelo vírus Bundibugyo, o surto foi declarado em meados de maio e já é o segundo mais letal da história. Só fica atrás da epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, quando 11 mil pessoas morreram em diferentes países.
Surto chega a outros países além do Congo
Desde maio, a doença se espalhou por 67 das 178 zonas de saúde do Congo, distribuídas em oito das 26 províncias. O leste do país concentra a maior parte dos casos, sobretudo nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, que somam 9.782 casos confirmados e 4.792 mortes.
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O surto também cruzou as fronteiras. Em outubro, Quênia e Nigéria confirmaram casos. O Quênia registrou oito infecções e duas mortes, e o único paciente com diagnóstico confirmado na Nigéria foi transferido para a Suíça.
Uganda também teve registros. Com casos em três regiões africanas, o atual surto é considerado o de maior alcance geográfico já observado no continente.
Um terço das vítimas morreu sem atendimento
Rastrear os contatos de pessoas infectadas é um dos principais entraves para conter a transmissão. Segundo os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), 80% dos novos casos estão fora das cadeias de contato monitoradas pelas autoridades.
Na prática, um terço dos mortos nunca chegou a um centro de tratamento. Para Otim, essas vítimas morreram antes mesmo de serem testadas.
“É um marco muito trágico porque não se trata apenas de um número”, disse o médico Patrick Otim, gerente de área de programas da Organização Mundial da Saúde (OMS). “São famílias e comunidades devastadas por esse surto.” Ele também questionou: “Como podemos chegar às pessoas mais cedo e fazer com que procurem unidades de saúde para ter uma chance real de sobreviver?”
Greves e conflitos travam a resposta em Ituri
A reação à doença esbarra nos conflitos armados no leste do país, na resistência de parte da população às medidas de saúde e nas paralisações de profissionais que estão sem salário.
Na sexta-feira (30), funcionários de um centro de tratamento em Tchomia, na província de Ituri, pararam de trabalhar para cobrar quatro meses de pagamentos atrasados. A unidade atende cinco pacientes com diagnóstico confirmado e dez casos suspeitos.
O que é o ebola e por que a Bundibugyo preocupa
O ebola é uma doença infecciosa grave causada por vírus da família Filoviridae. Há diferentes espécies capazes de provocar a doença, entre elas a Zaire, a Sudan e a Bundibugyo, responsável pelo surto atual na República Democrática do Congo.
A infecção é uma zoonose, ou seja, pode passar de animais para seres humanos. Acredita-se que morcegos frugívoros sejam hospedeiros naturais dos vírus, embora essa relação ainda seja estudada. Entre pessoas, a transmissão ocorre pelo contato direto com sangue ou outros fluidos corporais de alguém infectado, vivo ou morto, ou com objetos contaminados por esses fluidos.
A doença não se transmite pelo ar, diferentemente da gripe ou da covid-19.
A espécie Bundibugyo foi identificada pela primeira vez em 2007, no distrito de mesmo nome, em Uganda. Ela é diferente da Zaire, que esteve por trás de alguns dos maiores surtos já registrados, incluindo a epidemia na África Ocidental entre 2014 e 2016.
Essa diferença pesa no combate. As vacinas e tratamentos desenvolvidos contra a Zaire não têm eficácia comprovada contra a Bundibugyo. Até o momento, não há vacina nem terapia específica aprovada para essa espécie, e os pacientes recebem cuidados de suporte para aliviar os sintomas e tratar possíveis complicações.
Editoria:
Redação Saúde e Educação
A Redação Saúde e Educação reúne a cobertura do Clique Fatos sobre saúde, bem-estar e educação. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



