Oleoduto saudita é fechado após ataque de drones e ameaça 4% do petróleo global

Fechamento do oleoduto pode retirar até 4% do suprimento global de petróleo, agravando crise energética.

Refinaria de petróleo da Saudi Aramco, em Ras Tanura, na Arábia Saudita

O Oleoduto Leste – Oeste da Arábia Saudita, peça central na rota de escoamento do petróleo do país durante a guerra entre Estados Unidos e Irã, foi fechado na última sexta – feira após um ataque de drones. O governo saudita atribuiu o ataque a aeronaves não tripuladas vindas do Iraque e afirmou que o episódio deixou “feridos e alguns danos”.

Nenhum grupo assumiu a autoria, mas o presidente americano, Donald Trump, apontou suspeitas sobre grupos proxy apoiados pelo Irã que atuam dentro do território iraquiano. O Ministério das Relações Exteriores do Irã “negou categoricamente” a acusação nesta segunda – feira.

O fechamento do oleoduto, que pode durar semanas, representa um novo e grave golpe no fornecimento global de petróleo, já afetado por mais de seis meses de conflito. Segundo a Capital Economics, até 4% do suprimento mundial de petróleo pode ser retirado do mercado por causa da paralisação.

A extensão dos danos ainda não está clara, mas o temor é que as principais rotas de escape para o petróleo da região estejam se fechando.

Ameaça em múltiplas frentes

Na semana passada, rebeldes houthis apoiados pelo Irã no Iêmen capturaram a cidade portuária de Mocha, no Mar Vermelho, e a ilha de Perim, na entrada do estreito de Bab al – Mandeb. A via navegável vinha sendo usada como alternativa ao Estreito de Ormuz para a exportação de petróleo saudita e derivados.

O avanço dos houthis sobre o tráfego marítimo na região, combinado com o fechamento do oleoduto, acendeu o alerta no mercado.

Os preços do petróleo Brent e do WTI dispararam, refletindo o aperto na oferta. “Seria verdadeiramente catastrófico se o Oleoduto Leste – Oeste não puder ser reparado e colocado em operação em breve”, afirmou Bob McNally, presidente do Rapidan Energy Group, à CNN.

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Para ele, a rota é a mais importante para a Arábia Saudita redirecionar os fluxos de petróleo bruto.

Impacto imediato no mercado de diesel

O oleoduto bombeava, em média, cerca de 6 milhões de barris por dia durante a guerra, abaixo dos 7 milhões de sua capacidade máxima, segundo Richard Bronze, cofundador da Energy Aspects. Ele abastecia refinarias na costa oeste saudita e também era usado para exportar derivados como diesel.

A interrupção atinge um mercado já sensível, afetado por ataques ucranianos a refinarias russas.

Na semana passada, o preço médio do diesel nos Estados Unidos ultrapassou US 6 por galão pela primeira vez, de acordo com a AAA. Andy Lipow, da Lipow Oil Associates, alertou que uma paralisação prolongada pode empurrar o valor para mais de US 6,50 por galão.

Dados de satélite indicam que nenhum petróleo bruto saudita saiu dos portos do Mar Vermelho desde sábado, segundo Ashley Hikmet, da Axis Limited. A Saudi Aramco já comunicou a clientes europeus que não conseguirá entregar cargas até meados de novembro.

Estoques limitados e previsão de alta

Os estoques de petróleo em Yanbu, no Mar Vermelho, somam cerca de 15 milhões de barris. Johannes Rauball, analista da Kpler, calcula que, com a taxa média de retirada, os tanques podem ficar vazios em aproximadamente quatro dias. Ele estima que os fluxos pelo oleoduto devem ser interrompidos por cerca de um mês.

Já Janiv Shah, da Rystad Energy, acredita que os estoques se esgotem em cinco a sete dias.

Uma interrupção de um mês pode retirar até 120 milhões de barris de exportações do mercado e elevar ainda mais os preços. Bronze, da Energy Aspects, acredita que a Arábia Saudita conseguirá retomar parte dos fluxos durante os reparos, mas alerta que uma “perda prolongada” transformaria “uma crise de evolução lenta em uma conflagração rápida”.