Ofensas de Milei a Lula e Moraes tensionam relação com o maior parceiro comercial da Argentina

Ataques do presidente argentino na convenção do PL, em julho, contrastam com a interdependência econômica entre os dois países.

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O presidente da Argentina, Javier Milei, decidiu atuar como cabo eleitoral da extrema direita latina | Foto: Nelson Almeida/AFP

Em julho, o presidente da Argentina, Javier Milei, ofendeu Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ao discursar na convenção nacional do PL, em São Paulo, ao lado de Flávio Bolsonaro. Críticos viram no episódio um desrespeito sem precedentes na relação entre os dois países. A situação foi agravada porque Milei veio ao Brasil para um evento eleitoral, o que críticos interpretaram como tentativa de interferir na disputa presidencial brasileira.

Contexto político

Críticos apontam não apenas as provocações diretas de Milei a figuras políticas brasileiras, mas também seu alinhamento a Donald Trump e à extrema direita.

Críticas ao governo argentino

Críticos descrevem o mandato de Milei como “desastroso” e citam propostas como a ampliação da jornada de trabalho diária para até 12 horas e cortes em programas sociais.

A importância do comércio bilateral

Em contraste às tensões políticas recentes, a relação econômica bilateral permanece extremamente sólida e vital. O fluxo comercial mostra o quanto os dois países são interdependentes.

Dados do Centro de Economia Internacional (CEI), da chancelaria argentina, mostram um intercâmbio de bilhões de dólares em 2024.

O papel do Mercosul

A cooperação entre as nações não se limita apenas à troca comercial pontual. O bloco econômico tem sido um pilar fundamental que garante voz aos países membros nos fóruns internacionais.

Desde 1991, quando o bloco foi criado pelo Tratado de Assunção, o comércio entre os países-membros cresceu de forma expressiva. No mesmo ano, Brasil e Argentina criaram a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC). Em 2025, o PIB somado do bloco foi estimado em US$ 3,17 trilhões.

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Relações além do confronto político

Especialistas argumentam que a integração regional é um interesse estratégico para toda América do Sul. O Brasil é o principal destino das exportações argentinas e também seu maior fornecedor; cerca de 90% do intercâmbio bilateral é de produtos industrializados de alto valor agregado, que geram empregos nos dois países.

Manter o foco nos laços econômicos demonstra ser mais relevante do que entrar em confrontos políticos ou disputas ideológicas, garantindo assim as sólidas conexões comerciais entre ambos os povos na região.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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