Celso Amorim culpa Milei por pior momento das relações entre Brasil e Argentina

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, embaixador Celso Amorim, afirmou que as relações entre Brasil e Argentina vivem o pior momento da história. Em entrevista ao portal UOL, publicada neste sábado (31/10), ele atribuiu o agravamento da crise à postura do presidente argentino, Javier Milei, e disse que, na visão do governo brasileiro, regras básicas da relação diplomática foram quebradas.
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Amorim declarou à jornalista Janaína Figueiredo: “É o pior momento da relação Argentina-Brasil, mas não por nossa causa. Nós não fizemos nenhuma agressão à Argentina”. Para ele, o desrespeito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao Brasil e às eleições brasileiras vai além das divergências políticas entre os dois governos.
Brasil evita embate público com Milei
O diplomata disse que o país não pretende entrar em uma disputa pública com o presidente argentino. “Não queremos ficar em bate-boca”, afirmou. Ao comentar as falas de Milei, completou: “deixe ele falar para as paredes ou para quem ele quiser”.
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Amorim lembrou que a Argentina foi o único país da América do Sul que não cumprimentou Lula pela vitória eleitoral. Na avaliação dele, essa atitude não se explica por diferenças ideológicas, já que governos de direita de outros países reconheceram o resultado.
Representações seguem rebaixadas nas embaixadas
Os dois países já tinham reduzido o nível de representação em suas embaixadas. Hoje, o Brasil é representado em Buenos Aires por um encarregado de negócios, e a Argentina faz o mesmo em Brasília.
Segundo Amorim, a medida não é permanente, mas ele não vê reversão no curto prazo. “Depende apenas de respeito mútuo”, declarou.
Passagem de Flávio Bolsonaro por Buenos Aires agrava tensão
A crise ganhou novo capítulo após o senador Flávio Bolsonaro passar pela Argentina durante uma fuga aos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de negócios da embaixada argentina para pedir esclarecimentos sobre a passagem do senador pelo território vizinho.
Durante as eleições, o governo argentino já havia demonstrado apoio a Flávio Bolsonaro, e Milei chegou a participar de um ato de campanha em São Paulo, onde chamou Lula de “presidiário”. Já o porta-voz de Milei, Manuel Adorni, disse que o governo ajudou o senador a escapar do que classificou como perseguição política.
Esse episódio se soma a uma sequência de atritos provocados por declarações de Milei contra Lula e integrantes do governo brasileiro. Em agosto, o Brasil rebaixou o nível de sua representação diplomática na Argentina após falas ofensivas do presidente argentino, e o Itamaraty também chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas.
Governo quer manter cooperação, inclusive em energia nuclear
Apesar das divergências, Amorim afirmou que o governo brasileiro quer preservar a cooperação entre os dois países. Ele citou a área nuclear como um dos campos considerados importantes e disse que o Brasil não ignorou interesses argentinos em negociações comerciais internacionais.
O assessor também demonstrou preocupação com a aproximação militar da Argentina com os Estados Unidos, incluindo a possibilidade de uma base norte-americana em território argentino e a participação do país no chamado Escudo das Américas. Ainda assim, ressalvou que a Argentina é um país independente e pode definir suas próprias parcerias.
Crise pode surgir no encontro do G20 em Atlanta
Questionado pelo UOL sobre uma possível discussão da crise no encontro de chanceleres do G20, em Atlanta, nos Estados Unidos, Amorim disse que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não recebeu orientação específica para tratar do assunto com o chanceler argentino, Pablo Quirno.
Segundo ele, uma eventual conversa dependerá das circunstâncias do encontro.
Editoria:
Redação Internacional
A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



