O Brasil ocupa a 81ª posição no ranking mundial de proficiência em inglês

Entre 2023 e 2024, o Brasil apresentou uma queda de posições no ranking mundial de proficiência em inglês da EF, situando-se na 81ª posição.

21/06/2025 06:03

3 min

O Brasil ocupa a 81ª posição no ranking mundial de proficiência em inglês
(Imagem de reprodução da internet).

Entre 2023 e 2024, o Brasil apresentou uma queda da 70ª para a 81ª posição no ranking mundial de proficiência em inglês da EF.

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O país alcançou 466 pontos, desempenho avaliado como baixo pela metodologia da pesquisa. A íntegra da pesquisa está disponível (PDF – 410 KB).

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O estudo aponta que o domínio do inglês é um fator determinante para o crescimento econômico de um país, atração de investimentos e competição no cenário internacional.

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Indivíduos com domínio avançado da língua possuem maior facilidade no acesso a oportunidades de estudo e emprego, além de se adaptarem com mais sucesso em setores modernos e no mercado internacional.

A crise do Brasil se manifesta em um cenário preocupante: Belém (PA), uma das cidades com o pior desempenho do país (489), receberá a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) em 2025.

A Conferência do Clima das Nações Unidas deverá reunir milhares de chefes de Estado, cientistas, jornalistas e ativistas de todo o mundo. Contudo, a região Norte do Brasil apresenta 4 Estados com os piores índices do país. No Pará, onde se localiza a sede do evento, a média é de apenas 463 pontos.

Os maiores índices se encontram no Sul e Centro-Oeste, com destaque para Florianópolis (565), Porto Alegre (556) e Belo Horizonte (544).

Luciana Fonseca, professora da FFLCH da USP, leciona no Departamento de Letras Modernas e destaca que o inglês ainda é uma barreira de acesso para estudantes da rede pública, inclusive no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Contudo, para a professora, a questão não é apenas o idioma, mas o elevado índice de monolinguismo resultante de políticas que negligenciam a diversidade linguística do país.

Ela aponta que as questões de inglês e de espanhol são as que mais dificultam o acesso dos estudantes da rede pública à universidade.

Apesar de possuírem algum domínio da língua, existem desigualdades entre os brasileiros. Jovens com idades entre 21 e 25 anos ocupam o primeiro lugar no ranking interno, apresentando uma média de 499 pontos.

Homens obtiveram melhor desempenho em relação às mulheres (473 contra 459 pontos, respectivamente).

Contudo, o país se encontra atrás da maioria dos vizinhos da América Latina. A Argentina (562), o Uruguai (538) e até a Bolívia (525) apresentam desempenhos significativamente superiores.

Em uma tentativa de solucionar a questão, o governo federal instituiu em 2012 o programa Idiomas sem Fronteiras (IsF), vinculado ao Ciências sem Fronteiras. A iniciativa visava preparar estudantes universitários brasileiros para estudos no exterior e prover formação em línguas estrangeiras. Contudo, o IsF foi descontinuado em 2019.

Para Fonseca, a efetiva realização da COP demanda ações urgentes, incluindo a contratação de intérpretes e o retorno de programas federais, embora tais medidas não sejam suficientes.

A professora argumenta que a superação do déficit em proficiência linguística demanda abordar questões mais profundas da educação brasileira: “A educação linguística é profundamente afetiva e depende da valorização dos professores. Sem lidar com a desvalorização desses profissionais, é complexo diminuir qualquer déficit no ensino”.

A relevância do domínio do inglês vai além do meio para a participação do Brasil nos eventos internacionais. Transforma-se em fator crucial para o acesso à informação e atuação qualificada em setores estratégicos como tecnologia. O conhecimento da língua amplia ainda a capacidade de intervenção em questões multilaterais e a crise climática seria um exemplo. “As línguas estrangeiras visam uma função social e competências para fazer sentido do mundo em um nível de complexidade e amplitude crítica”, afirma Fonseca.

Fonte por: Poder 360

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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