Nutrien tem lucro de 61 centavos por ação, abaixo dos 80 esperados

Maior produtora mundial de potássio, a Nutrien vê agricultores brasileiros adiarem compras de nitrogenados e fechará em 2027 a mina de fosfato na Flórida.

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A pressão dos custos de gás natural e enxofre reduz margens, enquanto a Nutrien busca reorganizar operações em diferentes mercados | Foto: Reprodução/Forbes Brasil

A Nutrien, maior produtora mundial de potássio, teve lucro de 61 centavos por ação no terceiro trimestre, abaixo dos 80 centavos esperados pelos analistas. O resultado foi divulgado na quinta-feira e reflete a queda nas vendas de fertilizantes nitrogenados e o aumento dos custos de enxofre e de produção.

Na teleconferência de resultados, a empresa, sediada em Saskatoon, no Canadá, disse que agricultores com dificuldades financeiras, sobretudo no Brasil, estão adiando a compra de nitrogenados. Por outro lado, a demanda global por potássio, principal produto da companhia, segue alta.

Agricultores dos EUA devem recuperar atraso em aplicações de fertilizantes

A empresa aposta que os produtores americanos farão nas próximas semanas as aplicações de fertilizantes de outono que ficaram para trás. A melhora recente do clima e a necessidade de repor nutrientes em solos empobrecidos pela safra deste ano devem ajudar.

No setor, os preços altos de nitrogenados e fosfatados convivem com gás natural e enxofre caros, o que comprime as margens. Algumas empresas, por isso, já cortaram a produção.

Mina na Flórida fecha e fábrica em Trinidad já foi desativada

A companhia vai encerrar, no primeiro semestre de 2027, sua mina e unidade de processamento de fertilizantes fosfatados na Flórida. A decisão se deve à baixa rentabilidade e ao esgotamento das reservas.

A fábrica de nitrogenados em Trinidad já foi fechada, por causa da incerteza no fornecimento de gás natural e de problemas com taxas portuárias. Já a mina e o complexo de fosfato de Aurora, na Carolina do Norte, que chegaram a ser colocados à venda, serão mantidos e receberão novos investimentos para ganhar eficiência.

Seitz aponta vantagem da produção na América do Norte

O presidente e diretor executivo Ken Seitz afirmou que produzir na América do Norte dá vantagem sobre concorrentes da Europa, onde o gás natural custa bem mais. “As vantagens competitivas são extraordinárias”, disse Seitz. “Isso nos dá confiança para investir, isso nos dá confiança para ampliar” a produção.

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Varejo brasileiro terá mais cortes até o fim do ano

Na mesma teleconferência, a instituição disse que planeja fechar operações em mais três Estados brasileiros e avalia novas medidas de racionalização. A revisão do negócio de varejo no país deve trazer conclusões até o fim do ano.

A companhia afirmou ter reduzido as vendas no varejo do país para focar em produtores de alta qualidade e reduzir a exposição a crédito de risco. Para a empresa, a queda nas vendas de nitrogenados e de outros produtos no Brasil decorre do esgotamento do crédito entre os agricultores.

A Nutrien também prevê que a demanda chinesa siga firme, ponto que associa à garantia da segurança alimentar.

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