Nunes Marques vê “aparente ilicitude” em fala de Flávio Bolsonaro sobre urnas

Decisão liminar de Nunes Marques será submetida ao plenário do TSE, enquanto Eduardo Bolsonaro terá 24 horas para remover duas publicações.

01/09/2026 23:27

3 min

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O ministro Nunes Marques afirmou que a declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL – RJ), pré – candidato ao Planalto, reproduz “de forma direta e categórica” um fato já desmentido pela Justiça Eleitoral. A avaliação consta de decisão assinada na segunda – feira (31), mas não houve determinação de medida contra o senador.

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O caso chegou ao processo a partir de uma petição apresentada pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). O pedido, no entanto, não solicitava a remoção de conteúdo relacionado à fala de Flávio Bolsonaro.

Avaliação de Nunes Marques sobre a declaração

Na decisão, Nunes Marques escreveu que o teor da declaração — de que as urnas eletrônicas brasileiras seriam provenientes da empresa Smartmatic— repete precisamente uma informação que a Justiça Eleitoral já classificou reiteradamente como inverídica.

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Para o ministro, a fala indica, em uma análise preliminar, “aparente ilicitude da conduta”. O relato foi incluído no processo por meio de reportagens de imprensa, que contextualizaram a declaração e a compararam com informações oficiais do TSE.

FlávioBolsonaro fez a declaração em julho, durante o evento “Debatendo o Brasil”, em Brasília, que reuniu representantes diplomáticos de mais de 40 países. Procurada, sua campanha disse que a fala foi descontextualizada e afirmou que o candidato à Presidência tem “integral confiança” no sistema eleitoral.

Decisões sobre aliados de Flávio Bolsonaro

Na mesma decisão liminar, que ainda será submetida a referendo do plenário do TSE, Nunes Marques analisou pedidos contra Eduardo Bolsonaro, Gustavo Gayer (PL – GO) e Júlia Zanatta (PL – SC). Os três foram acusados pela Federação Brasil da Esperança de divulgar “fatos sabidamente inverídicos” sobre o sistema eleitoral em publicações na rede social X (antigo Twitter.

Eduardo Bolsonaro terá de retirar, em 24 horas, duas publicações que relacionaram as urnas brasileiras a um relatório desclassificado da CIA sobre supostas fraudes eleitorais na Venezuela. Em uma delas, afirmou que “a pressão sobre a urna eletrônica brasileira deve aumentar”; em outra, questionou se as urnas nacionais seriam “realmente invioláveis”.

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Nunes Marques considerou que a associação tinha “caráter enganoso”. Também proibiu Eduardo Bolsonaro de repetir a ligação entre a Smartmatic e as urnas brasileiras, sob pena de multa diária, e comunicou as principais plataformas digitais, entre elas Meta, X, Google (You Tube), Tik Tok e Rumble, para impedir a propagação do conteúdo.

Pedidos contra Gustavo Gayer e Júlia Zanatta

As solicitações contra Júlia Zanatta e Gustavo Gayer foram rejeitadas. De acordo com a decisão, a publicação de Zanatta fazia críticas ao PT (Partido dos Trabalhadores) ao mencionar relações entre o chavismo e a esquerda latino – americana, mas não citava as urnas eletrônicas nem a Smartmatic.

Gayer, por sua vez, compartilhou uma captura de tela do site da Smartmatic, sem dizer que a empresa fornecia urnas ao Brasil. Por isso, o ministro concluiu que a postagem não configurava divulgação de fato inverídico.

O TSE informou, em nota atualizada em julho deste ano, que a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas e não participa da programação dos equipamentos usados no Brasil.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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