Novo Caged: Brasil cria 121.305 vagas com carteira em setembro, abaixo das projeções do mercado

Serviços sustentaram o saldo com 40 mil vagas, enquanto indústria e agropecuária recuaram e o comércio acumula em 2026 queda de 90,3% na geração de empregos.

3 min

(Marcelo Camargo / Agência Brasil)
(Marcelo Camargo / Agência Brasil)

O mercado de trabalho formal começa a sentir o aperto monetário e a desaceleração da atividade. Na quarta-feira (4), o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou os dados do Novo Caged, que apontam a criação líquida de 121.305 vagas com carteira assinada em setembro, abaixo do que o mercado esperava.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A projeção era de cerca de 180 mil a 185 mil postos. Para a economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo, o resultado mostra uma desaceleração em relação às 161 mil vagas criadas em agosto. Ela associa o movimento aos juros, atualmente em 13,75%, que pesam sobre a economia brasileira.

Serviços sustentam setembro enquanto indústria e agro recuam

Mônica Araújo avalia que o dado, embora relevante para o Comitê de Política Monetária (Copom), não deve mudar a expectativa de manutenção da Selic na decisão que sai após o fechamento do mercado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com os ajustes sazonais, as admissões recuaram 1,8% e os desligamentos caíram 0,3% em relação à divulgação anterior, segundo levantamento da consultoria 4Intelligence. Os economistas afirmam que a perda de fôlego aparece com mais clareza quando se observam os dados na margem.

O setor de Serviços foi o principal responsável pelo saldo positivo de setembro, com 40 mil vagas, puxadas por saúde, atividades administrativas e transportes. Já a Indústria cortou 14,3 mil postos e a Agropecuária recuou em 4,4 mil vagas.

Comércio tem o pior desempenho de 2026

O comércio é o segmento mais pressionado. No acumulado de 2026, o setor tem o pior desempenho em relação ao ano anterior, com tombo de 90,3% na geração de vagas formais.

A 4Intelligence explica que o crédito ao consumo, encarecido pelos juros altos, afeta diretamente as contratações em bens duráveis, como móveis e eletroeletrônicos, que dependem muito de parcelamento. Há também fatores estruturais. A consultoria aponta que o e-commerce tem deslocado empregos do varejo tradicional para serviços de logística e armazenagem.

Leia também

As apostas esportivas, as chamadas “bets”, também entram na conta. Estudos indicam que o vestuário é o principal item cortado pelos apostadores brasileiros. Somado ao fim da isenção tributária para compras internacionais de pequeno valor, a “taxa das blusinhas”, esse quadro trava o avanço do emprego formal no setor, segundo a 4Intelligence.

Rotatividade e salários mantêm mercado resiliente

Para Leandro Padulla, economista do ASA, o resultado reforça que o mercado formal responde, ainda que de forma gradual, à desaceleração econômica e aos efeitos defasados da política monetária restritiva. Ele ressalta que, apesar do arrefecimento, o mercado segue resiliente.

A própria 4Intelligence aponta sinais dessa resistência. Foram registrados 764,9 mil desligamentos a pedido do trabalhador em setembro, com 9,2 milhões no acumulado de 12 meses. Para a consultoria, a rotatividade alta indica que os profissionais ainda encontram ofertas mais vantajosas e que os salários seguem firmes.

As variações anuais dos salários médios nominais subiram 6,3% na admissão e 5,3% no desligamento, acima da inflação de serviços. Diante desse cenário de acomodação, a 4Intelligence revisou para baixo suas estimativas. A criação de vagas formais em 2026 caiu de 950 mil para 900 mil, em linha com a nova projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que passou de 1,8% para 1,6% neste ano.

Para 2027, a consultoria espera desaceleração maior, com 785 mil postos de trabalho e PIB avançando 1,2%. Rodolfo Margato, economista da XP, também vê um cenário mais difícil para o próximo ano, com menos abertura de vagas, aumento de custos salariais e escassez de mão de obra em alguns setores. “Projetamos que a criação líquida de empregos formais totalizará cerca de 800 mil em 2026 e 420 mil em 2027”, afirma.

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!