Nilton Travesso, criador do “Fantástico” e diretor da “Jovem Guarda”, morre aos 92 anos em São Paulo
A televisão brasileira perdeu um de seus grandes arquitetos. O diretor e produtor Nilton Travesso morreu na sexta-feira (6 de novembro), aos 92 anos, em decorrência de uma infecção generalizada. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
A notícia foi confirmada pelo SBT, emissora com a qual manteve uma relação importante ao longo da carreira.
Ao longo de décadas, Travesso colocou no ar projetos que mudaram a forma de fazer entretenimento na TV, revelaram talentos e conquistaram gerações diferentes de espectadores. Sua morte encerra uma trajetória que acompanhou a própria evolução do veículo no país.
Da estreia na Record à chegada à Globo
Nascido em 20 de maio de 1934, em Sorocaba, no interior paulista, Nilton começou na televisão em 1953, quando fez parte da equipe que implantou a TV Record. Na época, o canal ainda dava seus primeiros passos no Brasil, e ele atuou em uma fase que ajudaria a definir as bases da programação nacional.
Na emissora, esteve à frente de atrações como “Jovem Guarda”, “Família Trapo” e o programa de Hebe Camargo, que hoje são lembradas como marcos da casa. Seu trabalho também atravessou os grandes festivais de música popular brasileira, num momento de forte transformação cultural.
Anos depois, foi para a TV Globo, onde ajudou a criar o “Fantástico”, em 1974. Foi ele também o produtor de um dos primeiros videoclipes da televisão brasileira, que trazia Ney Matogrosso cantando “América do Sul”.
Programas que tocaram o público feminino e a música
Nos anos seguintes, ele ajudou a desenvolver atrações que foram além do entretenimento puro. Entre elas estavam “TV Mulher”, “Som Brasil” e “Balão Mágico”. O “TV Mulher”, em especial, marcou uma época em que temas ligados ao universo feminino ganharam espaço na televisão aberta.
No SBT, a habilidade de enxergar potencial e montar formatos apareceu de novo. Na emissora de Silvio Santos, ele teve papel importante na retomada da teledramaturgia e na criação de programas que lançaram apresentadores para o grande público, como o “Bom Dia & Cia”, que teve Eliana como uma de suas principais nomes.
Também assinou a novela “Éramos Seis”, exibida em 1994, e participou de produções como “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Sangue do Meu Sangue” e “Chiquititas”.
Oficina de atores e última participação na TV
Em mais de sete décadas de profissão, Nilton também passou por Manchete, Bandeirantes e Gazeta. Seu currículo reúne variedades, musicais, jornalismo e dramaturgia, uma versatilidade que poucos profissionais alcançaram nos bastidores.
Em 2001, ele fundou uma oficina de atores em São Paulo, dedicando-se à formação de novos profissionais do audiovisual. Sua última aparição na televisão foi em 2024, no documentário “Silvio Santos, Vale Mais do que Dinheiro”.
Nilton deixa a esposa, a jornalista Marilu Torres, os filhos Camila e Marcelo e cinco netos. O velório será no sábado (7), das 10h às 17h, na Funeral Home, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo.
Editoria:
Redação Entretenimento
A Redação Entretenimento reúne a cobertura do Clique Fatos sobre famosos, TV, novelas, cinema e cultura pop. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.