MST e a luta por terra: o que falta para a saúde popular no Brasil?

MST ecoa memória de Eldorado do Carajás em abril! Saiba como a luta por terra e saúde popular confronta o agronegócio e clama por reforma agrária urgente.

17/04/2026 17:43

3 min

MST e a luta por terra: o que falta para a saúde popular no Brasil?
(Imagem de reprodução da internet).

O Chamado do Abril Vermelho: Terra, Saúde e Luta pela Reforma Agrária

Neste mês de abril, enquanto realizamos ocupações em latifúndios por todo o país, as trincheiras do MST ecoam a força e a memória dos 30 anos do massacre de Eldorado do Carajás. Naquela ocasião, 21 companheiros sem-terra foram assassinados pelo braço armado do Estado, atuando a serviço do latifúndio.

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Com o lema de exigir um fim à violência contra os povos e o meio ambiente, nossa jornada evidencia uma urgência inadiável. Um país onde apenas cerca de 1% dos proprietários detém o domínio sobre quase 50% das propriedades rurais clama por mudança.

Saúde Popular e a Necessidade da Reforma Agrária

Para nós, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, ocupar terras significa também construir saúde. Não é possível alcançar uma saúde popular plena sem a efetivação da reforma agrária. O território livre de cercas e de venenos é o que permite o florescimento da agroecologia e da verdadeira emancipação de nossos corpos.

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O Contraponto ao Agronegócio Destrutivo

O agronegócio, estruturado pela lógica destrutiva do capital, configura uma máquina que gera fome, adoecimento em massa por agrotóxicos e devastação ambiental. Ele é apontado como responsável por mais de 97% do desmatamento da vegetação nativa do Brasil.

A saúde popular que desenvolvemos no movimento camponês se contrapõe diretamente a esse projeto de morte e à visão dominante que equipara saúde à mera medicalização. É inadmissível que, diante de tamanha desigualdade, existam mais de 145 mil famílias acampadas aguardando o direito básico de plantar e viver com dignidade.

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Território como Pilar da Saúde Coletiva

A consolidação da saúde popular se fundamenta na premissa de que o território constitui o ápice da saúde coletiva. Assegurar o acesso à terra para camponeses, indígenas e quilombolas é garantir a cura para as feridas abertas pelo modelo agroexportador.

A Indissociabilidade entre Terra e Cuidado

Compreendemos que o território transcende a função de mero espaço de produção de mercadorias; ele é a fonte primária de cuidado e cura coletiva. Essa ligação entre terra e cura reside no resgate dos bens comuns da natureza e no conhecimento profundo do poder das plantas medicinais.

Quando o povo sem-terra planta árvores e produz alimentos saudáveis para combater a fome nas periferias urbanas, promovemos uma estratégia de saúde alimentar popular que confronta a exploração capitalista.

Fortalecendo a Base Política e o Conhecimento

Para enraizar essas práticas, investimos na formação contínua de nossos militantes, utilizando escolas como o Instituto Educacional Josué de Castro. Nesses espaços, vinculamos o cuidado à autonomia política.

Eventos como o Setor de Saúde Maria Aragão, apresentado no Encontro Nacional do MST de 2026, materializam essa visão ao oferecerem terapias baseadas em fitoterápicos, provando que o cuidado comunitário é um ato de resistência.

Ação Legislativa em Defesa dos Direitos

Em nível legislativo, nosso mandato leva essas pautas para a institucionalidade por meio das leis 10.737/25, que incluem a Semana Estadual de Luta pela Reforma Agrária no calendário oficial, e da lei 11.061/25, que institui a campanha de conscientização sobre doenças ligadas à intoxicação crônica por agrotóxicos.

Um Caminho para a Soberania Popular

Essas ações demonstram como terra e saúde são direitos absolutamente indissociáveis na construção de um projeto de nação soberano e popular. Neste Abril Vermelho, seguiremos em marcha, ocupando o latifúndio improdutivo e construindo a reforma agrária popular.

Lutar pelo território é, portanto, lutar pelo direito de existir e de semear um futuro de saúde, soberania e justiça para toda a classe trabalhadora.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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