Oito tiros de fuzil: MPRS acusa sete dos 18 PMs pela morte de agricultor em Pelotas

Promotoria pede júri popular, perda dos cargos e indenização à família de Marcos Daniel Nörnberg, morto em casa após os policiais indicarem endereço impreciso.

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Policiais alegaram que, ao se deparar com o agricultor segurando uma arma de fogo e que a vítima teria disparado contra a guarnição, que revidou.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou à Justiça, na sexta-feira (23), sete dos 18 policiais militares envolvidos na morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, e na tentativa de homicídio da esposa dele, em Pelotas.

O órgão pede que os acusados sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri, percam os cargos e indenizem os familiares da vítima.

Quatro PMs fizeram os oito disparos de fuzil

De acordo com o promotor de Justiça Frederico Carlos Lang, responsável pelo caso, os denunciados tiveram papéis diferentes na ação. Três deles cuidaram da identificação do local e da operação.

Os outros quatro dispararam os oito tiros de fuzil que mataram Marcos Daniel. A denúncia aponta ainda que os agentes entraram na propriedade do casal depois de indicarem de forma imprecisa o endereço da casa.

Família pensou que se tratava de um assalto

O agricultor foi baleado e morto dentro de casa, na região sul do Rio Grande do Sul, na madrugada de 15 de outubro. Após o caso, a Brigada Militar afastou os 18 militares que participaram da ação, abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) e apreendeu as armas usadas.

A versão da corporação é que, ao chegarem, os policiais viram o homem segurando uma arma e atirando contra eles, e revidaram. Em nota, a Brigada Militar informou que fazia buscas no local por causa de informações da Polícia Militar do Paraná (PMPR) de que a propriedade servia de depósito de armas e veículos roubados.

A família conta outra história. Segundo apuração da CNN Brasil, todos dormiam quando a casa foi cercada e acreditaram que estava ocorrendo um assalto. Marcos teria pegado a arma para se defender no momento da invasão.

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Nada de veículos roubados ou armas no local

Nenhum veículo roubado foi encontrado na propriedade, nem outras armas além da que Nörnberg usou. O comandante-geral da Brigada Militar, coronel Cláudio Feoli, chamou o episódio de “grande mal-entendido com desfecho trágico”.

Nörnberg produzia morango e milho doce, que vendia em feiras. Ele assumiu a produção da família depois que o pai perdeu um dos braços em decorrência de um câncer.

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