“Irmão do presidente Lula não é alvo”: fala leva MPF a investigar diretor-geral da PF

Andrei Rodrigues terá de explicar ao MPF se violou sigilo ao comentar o Sindnapi, ligado a Frei Chico, na Operação Sem Desconto sobre fraudes no INSS.

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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou na quarta-feira (21) um Procedimento Investigatório Criminal contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A suspeita é de que ele tenha revelado dados sigilosos da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS.

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Os procuradores querem saber se Rodrigues descumpriu dever funcional, cometeu crime de violação de sigilo funcional ou praticou ato de improbidade administrativa. A apuração só foi aberta porque a 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF negou um pedido para arquivar o caso e entendeu que os fatos precisavam ser investigados com mais profundidade.

Declarações sobre sindicato ligado a Frei Chico motivaram apuração

No centro do caso estão falas públicas do diretor-geral em abril de 2025 sobre o Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos). Entre os dirigentes da entidade estava José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Em entrevista ao ICL Notícias, Rodrigues disse que o sindicato não era alvo da investigação naquele momento e que nem a entidade nem seus gestores estavam entre os alvos de buscas e apreensões. “E respondendo muito objetivamente, o irmão do presidente Lula não é alvo da operação, não é investigado na operação”, declarou.

Na mesma conversa, ele explicou a medida adotada contra a entidade. “O que houve em relação a esse sindicato é, como houve em dezenas de outros, o bloqueio dos descontos indevidos ou aparentemente indevidos por determinação judicial a partir de pedido da Polícia Federal”, completou.

Pela portaria que abriu o procedimento, Rodrigues receberá um ofício para prestar esclarecimentos. O MPF também pediu que seja anexada aos autos uma cópia da decisão judicial que impôs sigilo ao inquérito envolvendo o sindicato.

Sindnapi ficou fora do primeiro pedido de bloqueio da AGU

Em maio de 2025, a Advocacia-Geral da União (AGU) não incluiu o Sindnapi nas ações de bloqueio de recursos destinadas a ressarcir aposentados e pensionistas lesados. A entidade tinha arrecadado R$ 90 milhões em 2023.

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Na ocasião, a AGU disse à CNN que escolheu as 12 entidades da ação cautelar com base em uma apuração administrativa aberta pelo INSS em 5 de maio daquele ano. O órgão prometeu ainda novas medidas judiciais para buscar a reparação dos prejuízos.

Mendonça viu indícios de organização criminosa no sindicato

Em outubro de 2025, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), apontou suspeitas consistentes de que integrantes do Sindnapi atuavam como uma organização criminosa para lesar aposentados e pensionistas.

De acordo com os indícios mencionados na decisão, o dinheiro arrecadado com os descontos passava por operações de lavagem para esconder a origem ilícita. Com base em dados da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre movimentações financeiras atípicas, Mendonça autorizou a quebra dos sigilos fiscal e bancário da entidade e de seus dirigentes, abrangendo o período a partir de 2020.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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