Namorada de Sastre disse que ele só bebeu água, mas ele admitiu álcool e MP pede apuração

Pedidos constam na ata do júri e miram também o assistente técnico Alfredo Vieira das Neves Júnior, por suspeita de falsidade ideológica, no caso do Porsche.

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Giovanna Pinheiro Silva, à esquerda, e Fernando Sastre de Andrade Filho, à direita | Foto: Reprodução/CNN Brasil

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu a apuração de possíveis crimes envolvendo a namorada de Fernando Sastre de Andrade Filho e o assistente técnico que atuou pela defesa do empresário no julgamento do caso do Porsche. A colisão terminou com a morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, em 2024.

Os pedidos aparecem na ata das sessões do Tribunal do Júri realizadas entre os dias 28 e 30 de outubro, na capital paulista. Ofícios obtidos pela CNN Brasil indicam que os promotores solicitaram formalmente à Polícia Civil a instauração de dois inquéritos policiais.

Ata registra pedido de apuração contra namorada e assistente técnico

No caso do assistente técnico Alfredo Vieira das Neves Júnior, o Ministério Público afirmou que pediria a abertura de um inquérito para investigar suspeita de falsidade ideológica. A acusação colocou em dúvida informações que ele apresentou durante a sessão.

Já Giovanna Pinheiro Silva, namorada de Fernando, passou a ser alvo de outro pedido. Segundo o MP, ela teria dito, em depoimento anterior, que o empresário não bebera nada alcoólico, somente água. Durante o julgamento, porém, Fernando admitiu ter ingerido bebida alcoólica, e por isso o órgão quer apurar possível falso testemunho.

Giovanna faltou à sessão e apareceu na plateia

De acordo com a ata, Giovanna recebeu intimação pessoal para depor no julgamento de 28 de outubro. Ela não se apresentou no horário marcado e também não justificou a ausência com antecedência.

Oficiais de Justiça tentaram levá-la de forma coercitiva, mas não a encontraram. Depois disso, a defesa comunicou que havia desistido da oitiva dela, e a juíza aceitou o pedido. Em seguida, porém, constatou-se que Giovanna acompanhava a sessão na plateia do plenário, como espectadora.

MP pede aumento da pena de Fernando Sastre

Fernando foi condenado a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão. O Ministério Público recorreu e pediu o aumento da pena. A apelação foi assinada na segunda-feira (2) e apresentada ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

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O julgamento pelo júri popular terminou na madrugada de sexta-feira (30), no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona Oeste da capital paulista. Para o MP, a punição aplicada é insuficiente e desproporcional “diante da gravidade concreta dos fatos”.

O recurso afirma que Sastre assumiu, de forma consciente e independente, o risco de causar danos às duas vítimas. Por isso, o órgão pede que as penas pelos dois crimes sejam somadas. O empresário foi condenado por homicídio qualificado, na modalidade de dolo eventual, e por lesão corporal contra Marcus Vinícius Machado Rocha, que estava no Porsche no momento da colisão.

No homicídio, os jurados reconheceram a qualificadora de perigo comum, por entenderem que a conduta do empresário expôs outras pessoas a risco. Além da prisão, a Justiça determinou a inabilitação de Fernando Sastre para dirigir veículos automotores.

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