MP denuncia Doca, líder do CV, por execução de adolescente de 14 anos no Rio

Doca e outros quatro integrantes do CV são acusados de torturar e matar jovem de 14 anos na zona oeste do Rio.

Edgard Alves Andrade, também conhecido como “Urso”, é considerado um dos criminosos mais procurados do estado e é investigado por mais de 100 homicídios

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou à Justiça cinco homens apontados como integrantes do Comando Vermelho (CV) pela tortura e assassinato de um adolescente de 14 anos. O crime ocorreu no dia 29 de março de 2026, na Comunidade César Maia, em Vargem Pequena, na zona Oeste da capital fluminense.

De acordo com a denúncia, a ordem para executar o jovem partiu de Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, tido como uma das lideranças da facção na região. Ele está entre os cinco denunciados. Além da morte do adolescente, outros dois garotos, de 13 e 15 anos, também teriam sido torturados depois de serem levados à força para dentro da comunidade.

Os crimes e os denunciados

Os cinco homens agora respondem por homicídio qualificado, associação para o tráfico, tortura, sequestro e corrupção de menores. A denúncia foi apresentada pela 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada e já foi recebida pela 1ª Vara Criminal da Capital.

O caso ganhou repercussão após a polícia revelar detalhes de um suposto estatuto interno do Comando Vermelho, que teria Marcinho VP como presidente do conselho. A informação foi divulgada durante o programa CNN Novo Dia.

Abordagem e sequestro dos jovens

Segundo a investigação do MPRJ, o adolescente de 14 anos e dois amigos foram até a Comunidade César Maia com a intenção de encontrar a namorada de um deles. Enquanto estavam no local, os três foram abordados por cerca de cinco indivíduos, que aparentemente também eram adolescentes.

O grupo teria perguntado de onde os jovens eram e feito ameaças de morte, caso eles morassem em uma área dominada por uma facção rival. Os adolescentes conseguiram deixar a comunidade, mas foram novamente interceptados quando esperavam em um ponto de ônibus.

Homens armados os levaram de volta para o interior da comunidade, já sob a mira de armas.

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Celular como estopim para a violência

Já dentro da comunidade, os criminosos revistaram os celulares das vítimas. Em um dos aparelhos, encontraram uma fotografia relacionada a uma facção rival e à Comunidade da Coreia, região apontada como dominada pelo grupo inimigo. A descoberta teria sido o estopim para a violência.

Conforme a denúncia, os suspeitos iniciaram sucessivas agressões contra os três adolescentes. As sessões de tortura terminaram com a morte do garoto de 14 anos. Os outros dois jovens, de 13 e 15 anos, também foram submetidos a espancamentos e sofreram graves lesões, mas sobreviveram.

O caso segue sob sigilo na 1ª Vara Criminal da Capital, e a Justiça ainda não definiu a data para o julgamento dos denunciados.