Movimento pelo fim da escala 6×1 ganha força entre trabalhadores exaustos

Mobilizações Trabalhistas e a Luta por Mais Dignidade no Trabalho
Uma nova onda de mobilizações está transformando o cenário do trabalho no Brasil. Pela primeira vez em décadas, o país assiste a um movimento amplo e crescente por direitos trabalhistas, impulsionado não por sindicatos e partidos tradicionais, mas pela exaustão física e mental de trabalhadores que sustentam grande parte da economia.
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O foco central dessa luta é a jornada de trabalho de 44 horas semanais, que sobrecarrega cerca de 33% da força de trabalho brasileira, frequentemente com apenas um dia de descanso, muitas vezes absorvido por tarefas domésticas ou simplesmente pela falta de energia.
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A luta por uma jornada de trabalho mais justa não surgiu do nada. Ela é fruto de anos de resistência e de uma crescente conscientização sobre as condições de trabalho na sociedade brasileira. A viralização de um vídeo no TikTok, gravado pelo ex-balconista de farmácia Rick Azevedo, que expôs sua própria experiência de exaustão e falta de tempo, foi o catalisador para essa mobilização.
O vídeo, que mostrava Azevedo exausto após um dia de trabalho, gerou uma onda de identificação e inspirou milhares de pessoas a se juntarem à luta.
A partir desse momento, surgiu um movimento coletivo, que rapidamente ganhou força nas redes sociais e nas ruas. O movimento Vida Além do Trabalho (VAT) defende o fim da escala 6×1 e uma jornada de 36 horas semanais, em escala 4×3.
A proposta, que já foi apresentada na Câmara dos Deputados pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), tem o apoio de diversos setores da sociedade e de movimentos sociais.
A aprovação da proposta de redução da jornada de trabalho, em tramitação no Congresso Nacional, seria um marco importante na luta por direitos trabalhistas no Brasil. Segundo seus defensores, a redução da jornada das atuais 44 horas para 36 pode gerar milhões de empregos e elevar os níveis de produtividade no país.
Além disso, a redução da jornada pode trazer benefícios para a saúde física e mental dos trabalhadores, para a família e para a sociedade como um todo.
A crise do capitalismo e a precarização do trabalho são temas centrais nessa discussão. O sociólogo Ricardo Antunes, professor da Unicamp, destaca que o sistema capitalista, baseado na acumulação infinita de capital, pela qual o lucro deve ser reinvestido para gerar mais lucro, é o único sistema político-econômico da história da humanidade que necessita de um crescimento constante, em prol de poucos, para se manter. “Na década de 70, começou a expansão da terceirização e, no caso brasileiro, depois a pejotização; em 2017, com a contrarreforma trabalhista do [ex-presidente Michel] Temer, a uberização; e nesse espaço entre 1973 e 2017, nós tivemos a explosão das plataformas digitais que iniciaram uma nova modalidade de assalariamento sem reconhecer a condição de assalariado.
O que significa isso? Exploração, espoliação e expropriação ilimitadas numa era de crise estrutural do sistema do capital”, analisa Antunes.
Experiências piloto, como a realizada pela 4 Day Week Brazil em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), demonstram que a redução da jornada semanal para 36 horas semanais pode gerar ganhos expressivos em produtividade, engajamento e bem-estar.
Além disso, a proposta de redução da jornada pode contribuir para a redistribuição de renda e para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
A luta por uma jornada de trabalho mais justa e digna é um reflexo da crescente conscientização sobre os desafios do capitalismo e da necessidade de construir um futuro mais justo e sustentável. É uma luta que envolve trabalhadores, movimentos sociais, políticos e cidadãos que acreditam em um Brasil mais justo e igualitário.
Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.
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