Apesar de imigração e guerra, Moura diz que inflação pesa mais que ideologia nas midterms dos EUA

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas midterms, chegam à reta final como o principal termômetro do governo Donald Trump. Serão renovados os 435 assentos da Câmara dos Representantes e um terço do Senado, e o resultado dirá se a Casa Branca mantém força legislativa ou terá de conviver com um Congresso de maioria democrata.
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Essa mudança pode mexer com o mercado de ações, com a regulação das big techs e com as tarifas que afetam o comércio com parceiros como o Brasil.
Custo de vida pesa mais que a ideologia na urna
Para o pesquisador Maurício Moura, da George Washington University e do Instituto Ideia, o bolso do eleitor vai decidir a disputa mais do que a pauta ideológica. Segundo ele, a inflação nos supermercados e a alta da gasolina tornaram a capacidade de pagamento, o chamado affordability, o verdadeiro motor da eleição.
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“O tema que une a oposição e que é o principal motivo para o bom desempenho dos democratas nas pesquisas é justamente o custo de vida”, afirma Moura. Para ele, a política externa perde espaço no debate, e as midterms serão cruciais para os negócios.
O que muda para o Brasil se os democratas avançarem
Na avaliação de Moura, a mudança na relação com o Brasil tende a ser pequena. Quem cuida desse tema é o Departamento de Estado, onde o Congresso tem pouca influência.
Ainda assim, há expectativa de que um Congresso democrata consiga frear as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. Nesse caso, o efeito para o Brasil poderia ser positivo, mas o pesquisador lembra que se trata de uma possibilidade condicional.
Imigração e guerra desgastam o presidente em alguns estados
Segundo Moura, a política de imigração de Trump pesa negativamente em alguns estados. Muitos eleitores votaram nele esperando mais controle de fronteiras, mas as ações da agência de imigração (ICE), vistas como violentas, truculentas e sem o devido processo legal, afetaram a popularidade do presidente.
O Texas é, na análise dele, um exemplo claro desse desgaste.
O pesquisador também cita a guerra, que é amplamente impopular, como fator que se soma ao custo de vida. Ele ressalta, porém, que o cenário varia de estado para estado e de disputa para disputa.
Por que o mercado financeiro acompanha a eleição
O principal argumento de Moura para empresários e tomadores de decisão brasileiros é que uma provável mudança no Congresso mexe diretamente com as expectativas do mercado financeiro dos EUA. Hoje, as ações do setor de tecnologia sustentam a bolsa americana, e há temor de que democratas imponham legislações que freiem essas empresas.
Um dos temas quentes da campanha é a construção de data centers em diversos estados, algo a que os democratas se opõem de forma clara. Somada à questão comercial, a possível limitação das tarifas torna a eleição, segundo ele, um evento crucial para os negócios.
Editoria:
Redação Internacional
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