Apesar dos ângulos retos, ciência contesta origem humana da ‘Atlântida’ submersa do Japão

Formação com mais de 10 mil anos e 25 metros de profundidade, achada em 1987 por um instrutor de mergulho, segue dividindo especialistas em Okinawa.

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Localização do monumento de Yonaguni, apontado por um “X” vermelho no canto inferior direito
Localização do monumento de Yonaguni, apontado por um “X” vermel...
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O monumento de Yonaguni, uma formação rochosa submersa na região de Okinawa, no Japão, segue cercado de debate quase 40 anos depois de ser descoberto, em 1987. Com ângulos retos e base em forma de pirâmide, a estrutura parece obra humana. A ciência, porém, aponta outra explicação.

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As plataformas têm idade estimada de mais de 10 mil anos e ficam a 25 metros da superfície. Elas medem 50 metros de comprimento por 20 de largura, com degraus de alturas variadas, passagens entre as pedras e uma entrada que lembra um portal.

Mergulhador comparou o achado a Machu Picchu

Quem encontrou a formação foi o instrutor de mergulho Kihachiro Aratake. Ele procurava pontos atraentes para levar turistas em expedições quando se deparou com a estrutura. Em entrevista ao jornal britânico The Times, relembrou o momento: “Naqueles tempos, o oceano era muito transparente. E olhando para baixo, parece que eu estava nadando sobre Machu Picchu”.

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As linhas retas e os degraus em ângulos de 90º não se pareciam com nenhuma outra formação subaquática que ele conhecia. “Fiquei tão maravilhado. Nunca tinha visto nada como aquilo”, contou. Para proteger o negócio da concorrência de outros guias, Aratake guardou o local em segredo por anos enquanto o explorava com sua equipe.

Hoje, aos 78 anos, ele ainda acredita que a estrutura não surgiu só por processos naturais. “O que nós encontramos é algo que nunca existiria só com o poder da natureza”, afirmou.

Por que o local ganhou o apelido de “Atlântida japonesa”

O apelido faz referência à civilização mítica descrita por Platão (428 aC. – 347 aC.), que teria sido engolida pelas águas. Muita gente também liga Yonaguni ao continente perdido de Mu, lenda nascida quando um arqueólogo francês tentou interpretar tábulas maias.

Os degraus em pirâmide reforçam a associação.

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O geólogo Masaaki Kimura, especialista em terremotos que vive em Okinawa e dá aulas na Universidade de Ryukus, foi o primeiro a estudar o monumento com rigor científico. Ele fez mergulhos próprios e usou robôs exploradores para catalogar o relevo.

Pelas fotos, chegou à mesma conclusão de Aratake: seria uma construção humana.

Em livro publicado em 1991, Kimura descreveu o que parecia “um gigante castelo ou templo, com muitos outros templos menores; um estádio, uma rotatória e um sistema de estradas que os conecta”. Para ele, tratava-se de uma “provável civilização megalítica antiga, uma cidade ancestral sob o mar”. A teoria, que conecta o local ao mito de Mu, atraiu teóricos da conspiração e pseudoarqueólogos para a ilha.

Geólogo concluiu que a formação é natural

Um desses entusiastas, o geólogo Robert Shoch, aprendeu a mergulhar só para explorar a formação e coletar amostras. Antes, ele havia defendido que a Grande Esfinge, no Egito, foi construída durante a era do gelo. Em Yonaguni, no entanto, suas conclusões foram contra a narrativa que popularizou a ilha.

Em seu site pessoal, ele sustenta “com convicção” que o monumento é “primariamente resultado de processos geológicos e geomorfológicos naturais”. “Por mais difícil que seja para alguns aceitarem, depois de estudar com cuidado o monumento de Yonaguni eu preciso dizer que eu não acredito que seja uma estrutura artificial, feita por humanos. De fato, é uma estrutura absolutamente incrível, que vale a pena ver, mas devo concluir que, baseado em todas as evidências, é uma estrutura primariamente natural”, escreveu Robert Schoch.

O principal argumento está nas próprias rochas, que, segundo ele, “se quebram com facilidade tanto em planos verticais quanto horizontais e formam naturalmente a aparência de degraus”. As pedras são de arenito, material compatível com o solo marinho. O monumento seria, assim, uma elevação do leito rochoso do oceano que se partiu em ângulos curiosos, mas orgânicos.

Em um documentário no You Tube, Schoch acrescenta que detritos e algas presos às rochas fazem as plataformas parecerem mais retas e angulosas do que realmente são. Aratake reconhece a discussão científica, mas não se dá por vencido. “Nenhum deles consegue dizer com certeza o que é. Falando como o primeiro a encontrar e dar nome a esse monumento, acredito que isso nunca será resolvido. E eu gosto quando eles discutem”, disse ao The Times.

A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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