Ministério Público de São Paulo denuncia quatro por morte de jovem em salto de rope jump em Limeira

O Poder Judiciário decidirá sobre a aceitação da denúncia, que pode levar os acusados a um processo penal por negligência na segurança do evento.

09/07/2026 11:34

4 min

Rope jump e bungee jump: conheça as normas de segurança
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia contra quatro pessoas pela morte de uma jovem de 21 anos em um salto de rope jump em Limeira, interior paulista. A denúncia foi feita após a conclusão das investigações e agora cabe ao Poder Judiciário decidir se aceita ou não a acusação.

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Caso a denúncia seja acatada, os denunciados se tornarão réus e o processo penal terá início.

Segundo o MPSP, a vítima faleceu após ser lançada da Ponte do Esqueleto sem que a corda de segurança estivesse devidamente conectada ao peitoral. A queda, que ocorreu de uma altura aproximada de 30 metros, resultou em politraumatismo fatal. O órgão afirma que os organizadores do evento deixaram de realizar procedimentos básicos para garantir a segurança dos participantes, como verificar a conexão da corda e checar os equipamentos.

Detalhes da Denúncia

Os promotores consideram que essa conduta caracteriza dolo eventual, onde o agente não tem a intenção direta de causar o resultado, mas assume o risco de fazê – lo. A denúncia também aponta que os organizadores exploravam comercialmente a atividade sem um gerenciamento adequado dos riscos envolvidos e priorizavam interesses econômicos e promoção dos saltos em detrimento da segurança dos participantes.

A Promotoria incluiu qualificadoras na acusação, como motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A primeira se refere à prática do crime por razões moralmente reprováveis, enquanto a segunda diz respeito à execução do ato que impede ou reduz as chances de reação da vítima.

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Se o Judiciário aceitar a denúncia, será necessário averiguar se há provas suficientes para sustentar essas qualificadoras, pois elas podem aumentar a gravidade da pena em caso de condenação.

Responsabilidade da Organizadora

No caso da organizadora do evento, o MPSP adotou uma tese jurídica distinta. O órgão argumenta que ela tinha a responsabilidade legal de garantir a segurança dos participantes e deveria ter agido para evitar o acidente. Apesar de ter conhecimento sobre uma falha operacional anterior semelhante, não interrompeu as atividades nem assegurou padrões mínimos de segurança.

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Por essa razão, ela foi denunciada por homicídio na modalidade de omissão imprópria, onde a responsabilização decorre da inação de quem tinha o dever legal de agir. Além disso, segundo a denúncia, a organizadora também é acusada de fraude processual por ter supostamente ordenado que fosse localizada e apagada uma gravação em uma câmera GoPro utilizada pela vítima logo após o acidente.

Ilegalidades na Atividade Comercial

A denúncia menciona ainda irregularidades na exploração comercial do rope jump. O MPSP aponta que os responsáveis atuavam sem registro no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), sem seguro civil e sem exigir documentos dos participantes que atestassem sua ciência sobre os riscos envolvidos — requisitos estabelecidos pela Lei Geral do Turismo.

Esse contexto reforça a falta de estrutura formal para gerenciar os riscos associados à prática do esporte radical. Após o oferecimento da denúncia, um juiz analisará se existem condições legais para prosseguir com a ação penal. Se houver justa causa, ele aceitará a denúncia e os acusados passarão oficialmente à condição de réus.

Próximos Passos no Processo Judicial

Caso o juiz acolha a denúncia, os réus serão convocados para apresentar suas defesas iniciando assim a fase instrutória do processo. Essa etapa envolve produção de provas, depoimentos e interrogatórios. Ao final dessa fase, o magistrado decidirá se há elementos suficientes para levar os acusados ao Tribunal do Júri.

Se houver indícios robustos sobre autoria e prova material do crime cometido, eles poderão ser encaminhados ao júri popular para julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Os jurados determinarão se absolvem ou condenam os réus; em caso de condenação, caberá ao juiz – presidente fixar as penas correspondentes.

Petições do Ministério Público

Na própria denúncia apresentada pelo MPSP foram solicitadas as prisões preventivas dos três homens acusados por homicídio e também foi requerido que a prisão temporária da organizadora fosse convertida em preventiva. Além disso, caso haja condenação, pediu – se um valor mínimo de R 200 mil como reparação aos familiares da vítima.

Enquanto isso, uma decisão judicial já havia determinado que não havia indícios suficientes para o indiciamento inicial e que as prisões temporárias perderam sua finalidade investigativa, resultando na liberação dos suspeitos. A CNN Brasil está tentando contato com as defesas dos envolvidos para obter mais informações sobre o caso.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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