Gabinete de Marco Buzzi no STJ tinha conhecimento de denúncias de assédio desde 2023

Documentos obtidos pela CNN revelam que integrantes do gabinete do ministro Marco Buzzi, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), tinham conhecimento sobre denúncias de importunação sexual feitas por uma servidora desde 2023. Eles começaram a adotar medidas para reduzir o contato entre a funcionária e o magistrado após os relatos se tornarem públicos.
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Os servidores afirmaram que já ouviam a colega desabafar sobre episódios de assédio antes das acusações feitas pela filha de amigos do ministro. Nos depoimentos, a servidora narrava que era alvo de comentários impróprios e comportamentos inadequados, incluindo toques.
Ela frequentemente relatava situações específicas a colegas, algumas vezes em lágrimas, e foi vista deixando o gabinete visivelmente abalada em pelo menos quatro ou cinco ocasiões. Testemunhas contaram que a funcionária decidiu não formalizar a denúncia anteriormente por medo de ser demitida e desacreditada, motivo pelo qual seus colegas passaram a ajudá – la a evitar momentos de proximidade com Buzzi.
Ações tomadas pela equipe
Em um dos episódios mencionados no processo, a servidora optou por recusar uma proposta para substituir temporariamente um assistente de plenário, afirmando que preferiria ser demitida do que ter um contato mais próximo com o ministro. Os depoimentos também citam tentativas de alteração nos horários de trabalho para garantir que ela não ficasse sozinha com Buzzi no gabinete.
Entre as estratégias adotadas estavam manter a porta aberta durante suas entradas na sala do ministro e designar outros servidores para atendê – lo sempre que possível.
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Além disso, uma testemunha revelou que, ao ouvir os relatos da colega, compartilhou sua própria experiência de ter recebido comentários inadequados por parte do ministro e aconselhou – a a ser firme ao exigir respeito em suas interações.
Andamento do processo administrativo
No último dia 3 de julho, o MPF (Ministério Público Federal) apresentou suas alegações finais no processo administrativo relacionado ao caso. O órgão argumenta que as denunciantes apresentaram provas suficientes para corroborar as acusações contra Buzzi.
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Este parecer é uma das etapas finais do procedimento administrativo. A defesa do ministro terá um prazo de 10 dias para apresentar suas alegações finais, incluindo evidências em sua defesa. Após essa fase, o julgamento ocorrerá em plenário.
As acusações contra Marco Buzzi também estão sendo investigadas criminalmente no STF (Supremo Tribunal Federal), sob relatoria do ministro Nunes Marques. Segundo informações apuradas pela CNN, as provas coletadas durante o processo administrativo no STJ ainda aguardam andamento na Corte.
Nota da defesa
A defesa do ministro Marco Buzzi divulgou uma nota lamentando o “vazamento de informações sigilosas dos autos”, ressaltando que isso expõe detalhes pessoais dos envolvidos. Os advogados afirmaram que desde o início do processo adotaram uma conduta respeitosa, sem divulgar publicamente documentos ou laudos relacionados às denunciantes.
Eles também destacaram que Buzzi “segue confiante no esclarecimento das acusações” e está elaborando suas alegações finais, que serão apresentadas dentro do prazo estipulado.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



