Mexilhão dourado se espalha por rios e reservatórios e impõe custo anual de US$ 9,97 milhões

Quatro regiões já registram a espécie, que obstrui estruturas de hidrelétricas e prejudica a captação de água, a pesca e a navegação.

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A saga do mexilhão dourado: a espécie exótica que dominou os reservatórios brasileiros em apenas 30 anos

O mexilhão dourado (Limnoperna fortunei), molusco de água doce originário da bacia do Rio Pearly, na China, espalhou-se por rios e reservatórios de quatro regiões brasileiras em pouco mais de três décadas. A espécie chegou à América do Sul em 1991 e alcançou o Brasil no final da década de 1990.

A infestação obstrui estruturas de usinas hidrelétricas e afeta atividades como captação de água, pesca e navegação. No setor elétrico brasileiro, os gastos anuais com prevenção e controle somam US$ 9,97 milhões.

Mexilhão dourado se espalhou por quatro regiões

A espécie foi levada por cargueiros na água de lastro até o estuário do Rio La Plata, na Argentina. Anos depois, embarcações que circulavam pela hidrovia Paraná-Paraguai contribuíram para sua chegada ao território brasileiro.

Atualmente, há registros em corpos hídricos do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de ocorrências iniciais no Nordeste, como no reservatório de Sobradinho, no Rio São Francisco. Não há casos documentados na Região Norte.

As informações fazem parte da publicação científica Mexilhão Dourado: O Avanço da Espécie em Reservatórios Brasileiros, de autoria de Guilherme Moreno Taveira, Renato Grillo e Jefferson Nascimento de Oliveira. O estudo cita pesquisas internacionais segundo as quais espécies exóticas invasoras estão associadas a 39% das extinções registradas nos últimos quatro séculos.

Larvas e navegação favorecem a dispersão

Entre os fatores que impulsionam a proliferação estão a produção de larvas livres natantes e a presença de bissos, estruturas que permitem ao molusco se fixar em superfícies rígidas. A ampliação das conexões entre hidrovias e o aumento do tráfego de embarcações continentais também contribuem para a expansão.

A construção de reservatórios hidrelétricos é outro fator apontado pela publicação. A combinação dessas condições favorece a dispersão do mexilhão entre diferentes corpos hídricos.

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Bioincrustação afeta usinas e atividades aquáticas

Ao se fixar em estruturas submersas, o mexilhão causa bioincrustação e pode bloquear tubulações, sistemas de filtragem e mecanismos de resfriamento de usinas hidrelétricas. Os impactos também atingem a captação de água potável, a aquicultura, a pesca, a navegação e a conservação da fauna aquática nativa.

As pesquisas consideram improvável erradicar completamente a espécie com os métodos disponíveis. Para reduzir os danos, são usadas medidas físicas, como raspagem, jateamento de alta pressão, filtração, ultrassom e radiação ultravioleta; químicas, como revestimentos anti-incrustantes, hidróxido de sódio e compostos clorados; e biológicas, com agentes microbianos e pesquisas em indução genética.

Desinfecção de embarcações ajuda a prevenir a expansão

Para desacelerar a passagem do molusco entre bacias hidrográficas, a recomendação é desinfetar embarcações e equipamentos de pesca com água sanitária antes de entrar em novos corpos hídricos. Piscicultores também devem exigir laudos sanitários que comprovem a ausência de larvas em cargas de alevinos.

Nanomateriais e soluções biotecnológicas estão entre as alternativas em desenvolvimento para mitigar, a longo prazo, a fixação do organismo.

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