Mais da metade dos alunos brasileiros chega ao 9º ano sem aprendizado adequado em matemática

Mais da metade dos alunos da rede pública chega ao 5º ano com aprendizagem adequada em matemática (50,6%), proporção que cai para 18,8% no 9º ano. Os dados são de um estudo do Todos Pela Educação com base no Saeb, avaliação nacional aplicada pelo Inep.
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O quadro se repete em outras etapas. No 9º ano, apenas 18,8% dos estudantes têm aprendizagem adequada. Os resultados do Pisa 2025, divulgados na última terça-feira (8), reforçam o diagnóstico: o Brasil ficou estagnado na avaliação internacional coordenada pela OCDE, ocupando a 71ª posição entre as economias analisadas.
A média dos países da OCDE, por sua vez, caiu 22 pontos no mesmo período.
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Por que matemática é tão difícil de ensinar?
Ouvidas pelo CNN Brasil, duas organizações que atuam com alunos da rede pública apontam um motivo central: matemática é a matéria que mais sofre com o acúmulo de lacunas de aprendizado. Diferentemente de outras disciplinas, os conteúdos são fortemente dependentes do que veio antes.
Patricia Borges, gerente de impacto do Instituto Sol, em São Paulo, explica que as dificuldades começam cedo. Mateus Moratorio lembra que, sem uma base sólida — como contar e entender o sistema de numeração decimal — os conteúdos seguintes ficam mais difíceis, e o estudante avança de ano, mas a distância entre o que deveria saber e o que realmente sabe só aumenta.
Mateus Moratorio, gerente de educação do Instituto Sonho Grande, lembra que alguns conhecimentos servem de base para o resto, como contar e entender o sistema de numeração decimal. Patricia Borges explica que quem chega ao 8º ano ainda com dificuldade em divisão e frações pode travar diante de equações e notação científica. A matemática também exige interpretação de texto: muitos alunos se perdem no enunciado antes mesmo de fazer qualquer conta.
O peso do medo de errar
Há ainda um componente emocional. Moratorio observa que experiências negativas com a matéria viram um obstáculo. Borges concorda: mesmo jovens com alto potencial acadêmico chegam com receio de errar e concluem que “não levam jeito” para a área.
A mudança de perspectiva, segundo ela, é essencial. O objetivo é fazer o estudante passar de um “não consigo aprender” para um “ainda não aprendi”, o que aumenta a confiança e a disposição para persistir.
O que a escola precisa fazer diferente
O principal desafio é lidar com salas onde os alunos estão em pontos muito diferentes. No diagnóstico de entrada de 2026 do Instituto Sol, 765 estudantes do mesmo ano escolar pontuaram entre 93 e 389 pontos — uma diferença que uma aula no mesmo ritmo não consegue cobrir.
As duas instituições sugerem caminhos parecidos: primeiro, descobrir o que cada aluno ainda não sabe; depois, reorganizar temporariamente os grupos conforme as dificuldades. Moratorio defende o uso de materiais concretos e até da calculadora para quem se enrola nas operações básicas.
Atualização em 28/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
Editoria:
Redação Saúde e Educação
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