Mercado revisa expectativa de déficit primário para R 59,14 bilhões em 2026, aponta Prisma Fiscal
A revisão das expectativas fiscais para 2026 destaca a crescente preocupação do mercado com a sustentabilidade das contas públicas brasileiras.
O Ministério da Fazenda divulgou, nessa sexta – feira (14), uma atualização sobre as previsões fiscais para o Brasil, revelando que a expectativa de déficit no resultado primário para 2026 aumentou. A mediana do déficit foi revisada de R 58,07 bilhões em julho para R 59,14 bilhões em agosto.
Esse ajuste reflete as preocupações do mercado com a situação fiscal do país.
O Prisma Fiscal, sistema responsável por coletar e divulgar as expectativas do mercado, é gerido pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. Este relatório fornece uma visão abrangente sobre as principais variáveis fiscais brasileiras, segundo analistas do setor privado.
Previsões para 2027 e Dívida Pública
O cenário para 2027 também não é promissor. Inicialmente, a previsão de déficit era de R 53,8 bilhões, mas agora subiu para R 55 bilhões. Essa piora nas expectativas levanta questões sobre a sustentabilidade das contas públicas nos próximos anos.
Além disso, as projeções para a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) permanecem inalteradas em relação a 2026, estimadas em 83% do Produto Interno Bruto (PIB). Entretanto, para 2027, houve um pequeno aumento nas previsões da dívida, que passou de 86,50% para 86,77% do PIB.
Essa tendência pode indicar um aumento na pressão sobre a economia brasileira nos próximos anos.
Ajustes nas Expectativas de Inflação e Arrecadação Federal
Em contrapartida ao aumento do déficit projetado, o mercado revisou suas expectativas de inflação para este ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação dos preços da cesta básica consumida pelas famílias com menor renda, teve sua projeção reduzida de 5,30% em julho para 5,10% em agosto.
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Essa diminuição pode ser vista como um sinal positivo em meio às incertezas econômicas.
A arrecadação federal também apresenta uma leve melhora nas previsões. As expectativas passaram de R 3,17 trilhões para R 3,18 trilhões em 2026. Essa elevação na arrecadação contrasta com o aumento no déficit primário e sugere que o governo poderá ter mais recursos à disposição.
No entanto, mesmo com o incremento nas receitas líquidas — que subiram de R 2,566 trilhões para R 2,574 trilhões — as despesas totais do governo foram levemente ajustadas para baixo. As projeções caíram de R 2,626 trilhões para R 2,624 trilhões.
Esse equilíbrio entre receita e despesa será crucial para enfrentar os desafios fiscais adiante.
Com essas novas previsões fiscais e econômicas apresentadas pelo Ministério da Fazenda, o Brasil se vê diante de um cenário desafiador que exigirá medidas eficazes e decisões estratégicas por parte das autoridades governamentais nos próximos meses.