Bridgewater elege eleição brasileira de 2026 como a mais importante entre emergentes

Bridgewater aponta que resultado da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro definirá capacidade de atrair capital global.

01/10/2026 16:05

3 min

Urna eletrônica
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A Bridgewater Associates, uma das maiores gestoras de hedge funds do mundo, considera a eleição presidencial brasileira de 2026 a mais importante entre os mercados emergentes. Em relatório divulgado nesta quinta – feira (1º), a empresa aponta que o resultado definirá a capacidade do Brasil de atrair capital global e doméstico, com a situação fiscal como fator determinante.

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O documento, intitulado “Bridgewater Client Observatory”, coloca a disputa entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) como uma escolha entre dois modelos fiscais opostos. Uma vitória da oposição poderia catalisar reformas, enquanto a continuidade da gestão atual manteria as estruturas existentes.

Cenários fiscais e seus reflexos nos juros

Segundo o relatório, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro abriria caminho para reformas focadas na estabilização da dívida e contenção de gastos, incluindo a redução de programas extraorçamentários. Isso, combinado a privatizações e uma reforma tributária, poderia desencadear um ciclo virtuoso com queda de juros e inflação.

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A Bridgewater traça um paralelo com o teto de gastos de 2016, mas ressalta que, apesar da pior situação fiscal atual, a ausência de recessão tornaria o ajuste menos doloroso.

Por outro lado, a permanência de Lula no poder provavelmente significaria a manutenção das atuais políticas fiscais. O relatório cita amplas isenções fiscais e rigidez orçamentária como obstáculos, o que exigiria juros reais elevados para garantir estabilidade cambial.

A candidatura petista propõe aumentar a arrecadação sem enfrentar estruturalmente os gastos, mantendo o arcabouço fiscal vigente.

O Brasil atualmente oferece um rendimento de cerca de 14% ao ano, com ganho real de 9,5% acima da inflação, a maior taxa sem risco entre grandes economias. Isso levou investidores a migrar da Bolsa e fundos de risco para aplicações de curto prazo, reduzindo pela metade o patrimônio dos fundos de hedge no país desde 2022, segundo a gestora.

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No cenário de reformas, a Bridgewater destaca três efeitos em cadeia: juros mais baixos aumentariam o valor das empresas; o governo ganharia credibilidade, reduzindo o risco; e o dinheiro sairia da renda fixa para a Bolsa e investimentos produtivos, criando um ciclo positivo.

Disputa acirrada e reação do mercado

As pesquisas de intenção de voto mostram sinais mistos, mas a disputa segue equilibrada. Em maio, após áudios vincularem Flávio Bolsonaro ao ex – controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, as chances de Lula nas casas de apostas ultrapassaram 60%, enquanto as de Flávio caíram para 25% a 30%.

Entre agosto e setembro, o cenário se inverteu: a inflação e os juros altos, junto com investigações sobre trocas de mensagens entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e Vorcaro, prejudicaram a candidatura governista.

Em resposta, o governo anunciou medidas como reajuste de 15% no Bolsa Família, programas de renegociação de dívidas e o banimento de plataformas de apostas online. A Bridgewater argumenta que os preços dos ativos indicam que o mercado financeiro ainda não precificou uma vitória de Flávio Bolsonaro nem a virada econômica que ela traria.

O relatório reconhece que mesmo uma vitória de Lula tenderia a resultar em reformas positivas, como sugerido pela equipe econômica petista, em vez de uma deterioração fiscal abrupta. No entanto, a continuidade das atuais políticas manteria os juros altos como um escudo contra perdas para investidores.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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