Disputa pela presidência do Senado em 1º de fevereiro de 2027: Marinho já tem 33 votos em tese
A vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno adiantou a disputa pela presidência do Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027. A virada foi inédita e veio contra a maré: três semanas antes, a direita tinha varrido as disputas estaduais por vagas no Congresso com a bandeira do enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal.
O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), quer a reeleição para mais dois anos no comando do Legislativo. Ele faz isso por meio de uma aliança de ocasião com o governo petista. Do outro lado, aparecem Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do Zero Um, e Tereza Cristina (PP-MS).
Oposição promete candidato único, mas a porta segue aberta
Marinho e Tereza Cristina afirmam que defendem o mesmo campo da oposição e que, mais adiante, a oposição deve chegar a um nome único contra a chapa governista. Até o fim de janeiro, porém, qualquer outro senador pode entrar na briga.
Para o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), a eleição será um teste duplo: de um lado, a capacidade de união da direita; de outro, a habilidade de articulação de Alcolumbre. Ele é conhecido por atrair colegas de qualquer partido e por costurar consensos em que, quase sempre, todos ganham alguma coisa.
“São três variáveis em jogo. A direita tem força numérica para ser competitiva na disputa. Alcolumbre tem os instrumentos da incumbência a seu favor. E a centro-direita, congregada em União Brasil, PP e Republicanos, tem os votos para decidir a eleição. É esse grupo político, com 16 senadores, que vai definir o próximo presidente do Senado”, diz Medeiros.
Bancada do PL começa com 33 votos em tese
Na última quarta-feira, 4, Marinho lançou oficialmente sua candidatura na sede do PL. A bancada do partido terá 29 parlamentares a partir de fevereiro. A ela somam-se os três senadores eleitos pelo Novo e Guilherme Derrite (PP-SP), que se elegeu à Casa por São Paulo. Na teoria, o coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro começa com 33 votos.
Só que a votação é secreta, e isso torna as traições não só possíveis, mas esperadas. Alcolumbre diz a aliados que conta com ao menos cinco votos das fileiras bolsonaristas.
“Alcolumbre conta com o peso institucional da presidência e a interlocução com o Palácio do Planalto. Para conquistar a centro-direita, além da distribuição dos espaços de poder, terá de assumir compromissos com pautas como segurança pública e reformas do Judiciário”, afirma Medeiros.
Para o especialista, quem comanda o Senado controla o ritmo das votações, o orçamento e a relação com o Supremo e com o Planalto. Por isso, a disputa vai muito além do cargo em si, ela define quem manda na agenda política do país.
“Uma vitória da oposição no Senado obrigaria Lula a governar com um freio institucional muito mais forte. A Câmara Alta do Parlamento vai se tornar a principal trincheira institucional da oposição nos próximos quatro anos. É onde a direita terá condições de fazer um contraponto mais contundente ao Executivo e ao Judiciário”, acrescenta Medeiros.
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