Marcha em Lisboa pressiona governo português por mais acesso à moradia

Milhares de pessoas marcharam pelo centro de Lisboa neste sábado (17) para protestar contra o aumento do custo de vida e o agravamento da crise habitacional. A manifestação elevou a pressão sobre o governo português para ampliar o acesso à moradia.
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Os participantes disseram que os salários baixos não acompanham a alta das despesas com habitação e outros custos básicos. Em Lisboa, os aluguéis ameaçam deixar moradores sem condições de renovar contratos, enquanto a inflação chegou a 3,6% em setembro.
Protesto ocorre após acampamento desfeito no Porto
A marcha em Lisboa foi realizada após dias de agitação no Porto, no norte do país. Ativistas haviam montado um acampamento na cidade, desmantelado pela polícia durante uma operação na madrugada de segunda-feira (12).
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O movimento em Portugal acompanha ações semelhantes ocorridas na vizinha Espanha. Os manifestantes afirmam que a diferença entre os salários e o custo de vida dificulta o pagamento das despesas básicas.
Pedro Penilo, de 62 anos, professor, disse que o governo está distante da realidade da população. “Preciso ver como ficará o meu crédito habitação nos próximos meses, quando ele for reajustado. Estou muito preocupado. Acima de tudo, sinto que existe um clima geral de grande abuso — um grande abuso contra a vida das pessoas”, afirmou.
Governo diz que já implementa medidas
Na sexta-feira (16), o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, declarou que o “governo não cederá aos gritos das ruas”. Ele acrescentou que medidas concretas para tratar das preocupações dos manifestantes já estavam sendo implementadas.
A inflação em Portugal atingiu 3,6% em setembro, impulsionada pela alta nos preços de alimentos e combustíveis. Os combustíveis subiram 15% em relação ao ano anterior, em meio às tensões no Oriente Médio.
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Desde 2017, os preços dos imóveis mais do que dobraram, e os valores dos novos contratos de aluguel também quase dobraram. A crise de acessibilidade à moradia está entre as piores da Europa e é mais crítica nas grandes cidades, incluindo Lisboa, onde os custos afastam os mais jovens do mercado.
Aluguel pode superar 1.200 euros em Lisboa
Carolina Cruz, de 26 anos, doutoranda e pesquisadora na área de biologia, recebe cerca de 1.300 euros mensais por meio de uma bolsa de estudos e corre o risco de perder a moradia porque seu contrato de aluguel está perto do vencimento.
Ela e o companheiro pagam 716 euros por mês por um apartamento na região de Lisboa. Se o contrato for renovado, o aluguel pode passar de 1.200 euros, valor acima das possibilidades financeiras do casal.
“Mesmo com todo o estudo que fiz… ainda não consigo dar conta. No momento, a questão da habitação em Lisboa é o problema. É possível notar que grandes edifícios estão sendo vendidos exclusivamente para serem transformados em hotéis e acomodações de curta temporada”, disse Cruz.
Editoria:
Redação Internacional
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