Manifestantes marcham em Washington contra Trump e pedem voto antecipado nas eleições

A campanha “Nada de reis: vote antecipadamente” reuniu manifestantes perto do Memorial Lincoln; as eleições de Meio de Mandato serão em 3 de novembro.

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Manifestantes do movimento “No Kings” realizam marcha da Virgínia a Washington em defesa da votação antecipada.
Manifestantes do movimento “No Kings” realizam marcha da Virgíni...
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Manifestantes marcharam em Washington neste sábado (17) contra políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, e para incentivar a participação nas eleições de Meio de Mandato. O ato, perto do local onde Trump propôs construir um arco triunfal, integrou a campanha “Nada de reis: vote antecipadamente” (“No Kings: Vote Early”), com dezenas de manifestações previstas em todo o país.

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Os participantes saíram do norte da Virgínia, cruzaram a Ponte Memorial de Arlington e seguiram até o espelho dágua do Memorial Lincoln. As eleições serão realizadas no dia 3 de novembro e definirão todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e um terço do Senado.

Manifestantes criticam Trump e defendem voto antecipado

Cartazes exibiam frases como “Não mexam no nosso voto” e “Não dá para consertar a estupidez, mas dá para eliminá-la pelo voto”. Alguns participantes usavam fantasias; outros levavam bonecos grandes de papel machê que representavam Trump, o vice-presidente JD Vance e outros líderes republicanos.

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Peter Jipp, cientista climático aposentado, afirmou que há “um esforço em curso para minar a democracia neste país”. “Os bilionários estão financiando isso, e o povo precisa retomar o poder para as próprias mãos”, disse. Ele pretende votar antecipadamente na Virgínia com a esposa e a filha.

Megan Ascher viajou da Carolina do Norte para participar do protesto. Fantasiada como Cher, personagem do filme “As Patricinhas de Beverly Hills” (“Clueless”), ela disse que apoia candidatas “todas democratas e todas mulheres”. Sobre Trump, afirmou: “Não consigo pensar em absolutamente nada que ele tenha feito com o que eu esteja satisfeita”.

Judi Garland, que trabalha no setor imobiliário comercial, disse que já votou na Virgínia e escolheu “toda a chapa democrata”. Ela citou a corrupção no governo, os direitos reprodutivos das mulheres e o racismo entre as questões em disputa. “Trump não pode mais continuar no poder.

Estou muito preocupada — temo pela nossa democracia — e sinto-me fortalecida ao estar cercada por outras pessoas que pensam da mesma forma”, disse à CNN.

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Democratas lideram pesquisa e podem mudar o Congresso

O Partido Republicano tem atualmente a maioria nas duas casas do Congresso. Uma pesquisa da CNN conduzida pela SSRS mostrou os democratas à frente dos republicanos por 8 pontos percentuais entre eleitores que defendem uma mudança expressiva na composição do Congresso. Pesquisas recentes também indicam possibilidade de troca de controle em pelo menos uma das casas.

Donald Trump tem índice médio de aprovação de 36%, segundo a média de pesquisas compilada pela CNN. Historicamente, o partido do presidente perde cadeiras nas eleições de Meio de Mandato. Bruce Stokes, pesquisador associado do Chatham House, escreveu que, desde a Segunda Guerra, o partido que controla o Congresso perdeu assentos em todas essas eleições, exceto duas, e que pelo menos uma das casas mudou de controle nas últimas cinco.

O controle da maioria define quais propostas chegam a votação e quais emendas podem ser examinadas, além de dar ao partido comando sobre atividades de comissões, como investigações de órgãos federais e elaboração de propostas orçamentárias.

A explicação é de William Bianco, professor de Ciência Política na Universidade de Indiana, em artigo publicado no site da Everything Policy, organização política americana sem fins partidários.

Possível maioria democrata pode ampliar investigações

Bruce Stokes avaliou que uma vitória democrata em qualquer uma das casas seria “ameaçadora” para Trump, que poderia enfrentar dois anos de investigações parlamentares. Entre os temas possíveis estão doações corporativas, supostos acordos de pagamento por influência e investimentos de fundos soberanos estrangeiros em empresas ligadas à família Trump.

A repórter sênior da CNN e setorista do Congresso americano, Annie Grayer, apurou que democratas se preparam para investigar o governo caso conquistem a Câmara. A guerra com o Irã, o projeto de construção de um salão de baile na Casa Branca, os negócios da família Trump e a condução dos arquivos do Caso Epstein estão entre os assuntos citados por uma dúzia de parlamentares e assessores democratas à CNN.

O deputado democrata Jamie Raskin, que assumiria a liderança do Comitê Judiciário da Câmara em caso de vitória do partido, disse que a prioridade não seria iniciar um processo de impeachment no primeiro dia, mas recorrer a ações judiciais para obter documentos e depoimentos. “Vamos usar todas as ferramentas disponíveis e certamente teremos muito mais autoridade para entrar com ações judiciais na maioria do que tínhamos quando estávamos na minoria”, afirmou à CNN. “Não aceitaremos um não como resposta quando se trata de obter as provas de que precisamos.”

Segundo apuração da agência Reuters, os democratas também planejam investigar agentes financeiros ligados a Trump, entre eles a 1789 Capital, empresa de capital de risco da qual Donald Trump Jr. é sócio, e fundos soberanos estrangeiros com investimentos em entidades ligadas à família do presidente.

Controle do Senado pode afetar nomeações e orçamento

Para os investidores, Michael Townsend, analista político da corretora Charles Schwab, apontou como principal consequência possível uma maior probabilidade de governo dividido. Uma Câmara controlada pelos democratas poderia aumentar a fiscalização do governo Trump e reduzir as chances de aprovação de grandes projetos republicanos.

Townsend também afirmou que prazos fiscais, disputas orçamentárias e as negociações sobre o teto da dívida em 2027 poderiam ganhar relevância para o mercado. Se o Senado continuar republicano e a Câmara passar aos democratas, haveria capacidade legislativa limitada, mas riscos maiores em fiscalizações e negociações fiscais.

O controle do Senado influencia a confirmação de juízes, reguladores e altos funcionários, além da viabilidade de grandes projetos de lei, escreveu Townsend. Uma vitória democrata nas duas casas, segundo ele, tornaria mais contenciosas as nomeações e a política regulatória e aumentaria a possibilidade de fiscalização mais agressiva.

Ian Bremmer, cientista político americano e fundador do Eurasia Group, destacou que os democratas precisam defender 13 cadeiras e conquistar quatro ocupadas por republicanos, duas delas em estados onde Trump venceu por ampla margem. Ele afirmou que as pesquisas se tornaram mais favoráveis aos democratas nas últimas semanas, embora a disputa pelo Senado continue em aberto.

Bremmer avaliou que uma maioria democrata no Senado poderia ter efeitos limitados no curto prazo, já que Trump governa por decretos e as investigações conduzidas por uma Câmara democrata poderiam ser ignoradas pela Casa Branca. Em 2027, porém, o partido poderia ganhar poder de negociação no orçamento e dificultar confirmações de juízes e altos funcionários; o governo também poderia recorrer a secretários interinos, sem confirmação do Senado.

O cientista político disse que a meta democrata é conquistar, em 2029, a “trifecta”, com o controle da Câmara, do Senado e da Casa Branca. Mesmo sem maioria, conquistar duas cadeiras no Senado neste ano deixaria o partido com 49 assentos antes de um ciclo em que os republicanos defenderão vagas vulneráveis na Carolina do Norte e em Wisconsin.

Para Bremmer, a disputa de novembro também definirá a viabilidade de uma agenda democrata ambiciosa em 2029.

A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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