Manifestantes retomam ocupações em Lisboa e no Porto após polícia desmontar acampamentos
Milhares de manifestantes voltaram a ocupar duas praças centrais em Lisboa e no Porto na terça-feira (20), em protesto contra o agravamento da crise habitacional em Portugal. O retorno ocorreu poucas horas depois de a polícia desmontar acampamentos e prender 55 pessoas.
Uma assembleia popular em Lisboa decidiu retomar a ocupação da praça do Rossio e montar novamente as barracas nesta quarta-feira. A cantora Ana Moura também esteve no local e se apresentou em apoio ao movimento.
Manifestantes voltam a praças em Lisboa e no Porto
Os organizadores estimaram que mais de mil pessoas participaram de cada ato. A polícia não divulgou uma estimativa de público.
Polícia desmontou acampamentos e prendeu 55 pessoas
Ativistas estavam na praça do Rossio, em Lisboa, desde sábado (17), onde montaram cerca de 200 barracas. No Porto, o acampamento na praça Dom João I durava há cerca de 10 dias.
Pouco antes das 6h da manhã, depois de alertar que os acampamentos eram ilegais, a polícia fez operações coordenadas nas duas cidades. No Porto, os manifestantes desmontaram as próprias barracas; em Lisboa, os agentes desocuparam a praça do Rossio.
Carla Valadão, porta-voz do acampamento em Lisboa, chamou a ação policial de “muito agressiva”. Já o superintendente da Polícia de Segurança Pública, Sérgio Soares, afirmou que a desocupação ocorreu de forma “calma, proporcional e adequada, sem qualquer carga policial”.
As 55 pessoas detidas foram liberadas e devem comparecer a uma audiência judicial em Lisboa nesta quarta-feira.
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Manifestantes criticam custos e projeto de lei sobre aluguéis
Débora Miranda, de 41 anos, consultora de comunicação, disse à Reuters que foi ao protesto na praça do Rossio para representar gerações afetadas pela disparada dos custos. “Se as pessoas não se sentem em casa, em todos os sentidos da palavra, não conseguem seguir com as suas vidas… já chega”, afirmou.
Portugal enfrenta uma das piores crises de acessibilidade à habitação na Europa. Desde 2017, os preços de compra de imóveis mais do que duplicaram, enquanto os valores dos aluguéis para novos contratos quase dobraram.
A pressão é maior nas grandes cidades, onde também cresce a oposição ao turismo excessivo e à chegada de muitos “nômades digitais”. Os protestos seguiram o modelo de mobilizações por moradia realizadas na vizinha Espanha e ocorreram em meio ao descontentamento com o custo de vida em países como França, Bélgica e Itália.
Os manifestantes pedem que o governo de centro-direita retire um projeto de lei que facilita despejos e elimina limites para os valores de aluguel em novos contratos. A proposta passou em primeira leitura parlamentar com a abstenção do partido de extrema-direita Chega.
Jorge Paixão, de 19 anos, estudante de História, descreveu o quadro como “uma crise social”. Ele disse que sua geração precisa da “possibilidade de viver com dignidade, constituir família e rejuvenescer Portugal”.
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