Lula tem 74% dos votos válidos em quilombos, 71% em terras indígenas e 54,7% nas favelas

Levantamento da Ipse Global mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 26% entre quilombolas, 29% em terras indígenas e 45,3% nas favelas.

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Indígenas votam em São Paulo | Foto: Reprodução/Brasil de Fato

Levantamento da Ipse Global, empresa especializada em pesquisas e análises de opinião, aponta que a maior parte dos moradores de favelas, quilombos e terras indígenas votou na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O melhor desempenho do petista apareceu entre os quilombolas, com 74% dos votos válidos e alta de 1,2 ponto porcentual em relação ao primeiro turno. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, caiu de 27,2% para 26%.

Quilombolas e indígenas dão maioria a Lula

Foram analisados 495 territórios quilombolas, que somam 617.865 eleitores. Nos Territórios Indígenas (TIs), o petista chegou a 71% dos votos válidos do segundo turno, dois pontos percentuais acima do resultado do primeiro. O restante, 29%, ficou com Flávio.

Foram 573 TIs analisadas, com 559.257 eleitores. Os indígenas que vivem em cidades ficaram de fora da conta, porque o levantamento não tem esse recorte.

Nas favelas, Lula tem 54,7% no segundo turno

Nas favelas, o desempenho do petista foi menor, mas com 54,7% dos votos no segundo turno. O índice cresceu 3,5 pontos percentuais frente ao primeiro turno, enquanto Flávio fechou com 45,3%.

Em números absolutos, Lula somou 2,13 milhões de votos nos dois turnos, e Flávio, 575,8 mil. Foram 12.607 territórios analisados, com 26.879.510 eleitores. Para a Ipse Global, a proporção menor, apesar de os números absolutos serem maiores, revela a diversidade de perfil dos eleitores dessas comunidades.

“A favela tem muito puxador de votos de vários partidos ali. Um trabalho ostensivo que não é apenas da esquerda, mas da direita também”, afirma o diretor-executivo da Ipse Global, Leonardo Magalhães.

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Magalhães também vê, sobretudo nos centros urbanos, a força da ideia de mérito e empreendedorismo. “A pessoa não quer escutar que ela conseguiu, graças ao governo, porque você tira o mérito dela. A favela reconhece a existência das políticas públicas, mas há um desejo de reconhecimento do tipo: ‘Eu trilhei o caminho, fui eu quem ralou. Não foi governo’”, diz o pesquisador.

“Se há informalidade, é normal que os moradores tenham assumido a rejeição à CLT. O ideário de sucesso, que é ter uma vida de empresário, está presente nesses espaços”, acrescenta. Nas TIs e nos quilombos, ele atribui os bons números à maior coesão das comunidades e à clareza sobre os benefícios das políticas implementadas pelo atual presidente. “Na verdade, esses votos de Flávio Bolsonaro, mesmo em percentual, mostram uma parte dessa população que tem o desejo de sair dos territórios e se alinhar ao discurso de ascensão social comum na nossa sociedade”, detalha Magalhães.

Como brancos, nulos e ausentes migraram no segundo turno

A compilação indica que a campanha do vira-voto funcionou junto a quem anulou ou votou em branco no primeiro turno. Nos quilombos, 79,2% desse grupo escolheu o petista na segunda rodada, contra 0,2% para Flávio. Nas TIs, 65% dos brancos e nulos foram para Lula, e 1,6%, para Bolsonaro.

Nas favelas, a divisão foi de 74,9% para o presidente e 26,6% para o senador.

Entre os que não votaram no primeiro turno, 76,3% dos quilombolas decidiram por Lula, enquanto 1,2% optaram por Flávio. Nas TIs, o petista recebeu 86,3% dos ausentes, e o candidato derrotado, 1,9%. Nas favelas, 56,4% dos ausentes votaram no petista e 26,6%, no bolsonarista.

A abstenção nas favelas caiu de 21% para 18,7%. Nas TIs, a queda foi de apenas 0,8 ponto percentual, e o índice chegou a 21%. Nos quilombos, a abstenção ficou em 22% nos dois turnos.

Já os eleitores de candidatos derrotados no primeiro turno se dividiram de outra forma. Entre os quilombolas, 49,4% foram para Lula e 40,4% para Flávio. Nas favelas, 37,9% escolheram o petista, contra 45,6% do bolsonarista. Entre os indígenas, apenas 12,2% migraram para Lula, enquanto 81,4% apoiaram o senador derrotado.

Bahia lidera entre favelas e Sergipe entre terras indígenas por estado

Por estado, a Bahia registrou o melhor resultado de Lula entre os moradores de favelas, com 72,6%, alta de 2,6 pontos percentuais sobre o primeiro turno. Flávio ficou com 27,4%.

Em Minas Gerais, estado que mudou o placar no segundo turno, Lula foi a 52%, ante 48,3% na primeira rodada, enquanto Flávio caiu de 51,7% para 48%. No Rio de Janeiro, Flávio manteve a liderança nas favelas, mas perdeu terreno: Lula passou de 44% para 48,5%, e o bolsonarista recuou de 56% para 51,5%.

Em São Paulo, o petista venceu com 56,6% dos votos dos moradores dessas comunidades, contra 43,4%.

Entre os quilombolas, os maiores índices de apoio a Lula vieram do Amazonas, com 94,9%, seguido de Piauí (89,9%), Pernambuco (88,8%), Maranhão (88,4%), Bahia (84,7%) e Pará (81,8%). Nas terras indígenas, Sergipe deu 95,4% dos votos ao presidente, seguido de Tocantins (92%), Amapá (89,6%), Maranhão (89,1%) e Rio Grande do Norte (79,3%).

O levantamento foi feito a partir de dados brutos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pode ser filtrado por estado ou município na plataforma da Ipse Global. A pesquisa também sistematizou dados das seções eleitorais a até 50 metros desses territórios.

Parte das informações pode ser atualizada até quinta-feira (29), quando o TSE deve divulgar as atas detalhadas de votação.

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