Leite Longa Vida lidera pressão inflacionária em 2026 com aumento de 13,85% em maio

O leite longa vida lidera a pressão inflacionária em 2026, com aumento de 13,85%. Descubra como isso impacta os preços e a produção no Brasil!

20/05/2026 06:26

4 min

Leite Longa Vida lidera pressão inflacionária em 2026 com aumento de 13,85% em maio
(Imagem de reprodução da internet).

Leite Longa Vida e a Pressão Inflacionária em 2026

Em maio, o leite longa vida destacou-se como o principal responsável pela pressão inflacionária entre os alimentos, conforme o IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10) da Fundação Getulio Vargas, divulgado na última segunda-feira (18). O produto apresentou um aumento de 13,85% em comparação a abril.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nos pontos de venda, tanto no varejo quanto no atacado, os consumidores já sentem o impacto do aumento dos preços, uma tendência que também se reflete na inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Após um período de estabilidade em janeiro, os preços do leite subiram cerca de 11% de fevereiro para março e quase 14% em abril, posicionando o leite entre os itens que mais contribuíram para a inflação dos alimentos nesse intervalo. A expectativa é que o preço do leite continue a subir nos próximos meses, influenciado por fatores sazonais, custos operacionais e previsões climáticas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com a chegada do outono-inverno, a qualidade das pastagens tende a piorar, o que reduz a produção de leite, especialmente nas bacias leiteiras do Paraná, Minas Gerais e Goiás.

Impactos Climáticos e Custos de Produção

Se os efeitos do El Niño se intensificarem nos próximos meses, a situação das pastagens pode se agravar, conforme afirmam produtores e associações do setor. Os custos da pecuária leiteira também têm aumentado, mesmo com o preço pago ao produtor sendo superior ao de 2025.

Leia também

O preço médio do leite pago ao produtor no Brasil subiu 10,5% em março em relação a fevereiro, alcançando R$ 2,3924 por litro na média nacional, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Apesar da terceira alta consecutiva, o ritmo de valorização perdeu força diante das expectativas de recuperação da produção nos próximos meses. Embora os pecuaristas estejam recebendo mais pela matéria-prima, eles não conseguem compensar suas margens devido ao aumento dos custos com insumos.

A ração, por exemplo, ficou mais cara em decorrência da guerra no Oriente Médio, além do aumento nos preços de fertilizantes, energia e diesel, que são essenciais para a operação mecanizada de diversas propriedades leiteiras no Brasil.

Desafios na Indústria Láctea

Esses fatores têm levado os produtores a hesitar em investir. “Mesmo com a recuperação observada no preço do leite, os produtores ainda demonstram resistência em investir em alimentação, um cenário que pode mudar caso o preço do leite se mantenha estável ou volte a subir nos próximos meses”, aponta o relatório mensal do Cepea.

A postura dos pecuaristas pode impactar também os preços dos suplementos minerais e proteicos utilizados na cadeia de lácteos.

A alta nos preços foi impulsionada pela competição acirrada entre laticínios pela matéria-prima, em um contexto de oferta restrita. O Índice de Captação Leiteira do Cepea (ICAP-L) caiu 3,9% em março na média Brasil, acumulando uma retração de 11,1% no primeiro trimestre de 2026.

Entre os fatores que explicam essa menor oferta estão a sazonalidade da produção e a redução dos investimentos na atividade.

Mercado de Derivados e Importações

Simultaneamente, os custos de produção continuam a pressionar os pecuaristas. O Custo Operacional Efetivo (COE) teve um aumento de 0,46% em março, acumulando uma alta de 2,11% no trimestre, conforme pesquisa do Cepea em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

No mercado de derivados, os preços também subiram, com o leite UHT aumentando 18,3% e a muçarela 6,1%, refletindo o repasse dos custos mais altos ao consumidor final.

A rápida alta nos preços se deve ao fato de que a indústria está disputando a matéria-prima e, ao pagar mais por ela, repassa imediatamente o custo do alimento perecível. Isso contrasta com alimentos como o café, que levam cerca de 60 dias para ter alterações de preços nos supermercados.

Outro desafio é a captação fraca por parte dos laticínios. Após o chamado “ciclo do leite” em 2025, onde houve uma grande oferta e desestímulo do pecuarista, os laticínios enfrentam dificuldades para coletar volumes significativos de leite para processamento.

Expectativas para o Setor Lácteo

Esse cenário tem levado à necessidade de importação do produto. Mesmo com os preços firmes no mercado interno, as importações de lácteos aumentaram em março, com um crescimento de 33%, totalizando 604 milhões de litros em equivalente leite. Contudo, a expectativa do setor é de desaceleração nas altas a partir de maio.

Segundo o Cepea, a resistência do consumidor aos preços elevados no varejo e uma possível recuperação da produção entre maio e junho podem aliviar a pressão sobre os preços pagos ao produtor nos próximos meses.

Evolução dos Preços Pagos ao Produtor

  • JAN/25: R$ 2,57
  • FEV/25: R$ 2,71
  • MAR/25: R$ 2,75
  • ABR/25: R$ 2,69
  • MAI/25: R$ 2,64
  • DEZ/25: R$ 1,99
  • JAN/26: R$ 2,02
  • FEV/26: R$ 2,14
  • MAR/26: R$ 2,39
  • MAR/26: +10,5% sobre FEV/26
  • FEV/26: +5,43% sobre JAN/26

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!