Knesset e Likud: entenda como funciona a eleição em Israel em 2026
Eleições em Israel em 2026 podem definir continuidade de Netanyahu e rumo dos conflitos no Oriente Médio.
Israel vai às urnas no dia 27 de outubro para eleger um novo Parlamento. A votação, a primeira desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, pode definir o futuro político do primeiro – ministro Benjamin Netanyahu e colocar em xeque a direção dos conflitos no Oriente Médio.
O pleito ocorre em meio a um cenário de polarização, onde a guerra na Faixa de Gaza e as tensões com o Irã dominam o debate entre os eleitores.
O sistema eleitoral israelense é complexo e, na prática, a escolha do primeiro – ministro não é direta. Quem define o chefe de governo é o próprio Parlamento, chamado de Knesset, por meio de uma votação interna entre os partidos. Por isso, o resultado das urnas em outubro será decisivo para determinar se Netanyahu continuará no poder ou se dará lugar a uma nova liderança.
Como funciona o Knesset e a eleição do primeiro – ministro
O Knesset é o Parlamento israelense e conta com 120 cadeiras. Durante as eleições, os partidos apresentam listas fechadas de candidatos. A distribuição das vagas é proporcional ao total de votos válidos: cada legenda que ultrapassar a cláusula de barreira de 3,25% dos votos ganha uma quantidade de assentos equivalente ao seu desempenho nas urnas.
Na prática, se um partido obtiver 50% dos votos, teria direito a 60 cadeiras, por exemplo.
Esse sistema proporcional força a formação de coalizões, já que raramente um partido consegue maioria absoluta sozinho. Após a eleição, o presidente de Israel convida o líder do partido com mais chances de montar um governo viável para tentar formar uma coalizão. É aí que o nome do primeiro – ministro é definido, por meio de uma votação interna no Knesset.
Likud: o partido de Netanyahu e sua história
O Likud, também conhecido como Partido Nacional Liberal, é a legenda do atual primeiro – ministro Benjamin Netanyahu. O grupo foi fundado em 1973 como uma coalizão de partidos de direita para a oitava eleição do Knesset. Desde então, tornou – se uma das forças políticas mais influentes de Israel.
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Historicamente, o Likud se opõe à criação de um Estado palestino e apoia as operações militares israelenses na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. A legenda defende uma linha dura em relação à segurança nacional e à expansão dos assentamentos judaicos.
A condução de Netanyahu na guerra contra o Hamas e nas tensões com o Irã será um dos temas centrais da campanha.
Yashar: a oposição que surge como alternativa
Do outro lado do espectro político está o Yashar, que significa “honesto” em hebraico. O partido é liderado por Gadi Eisenkot, ex – integrante do gabinete de guerra do atual primeiro – ministro. Eisenkot é visto por analistas como o “exato oposto” de Netanyahu e representa uma oposição clara à condução do governo nos conflitos com o Irã e nos territórios palestinos.
O Yashar se firma como uma alternativa ao Likud, defendendo uma abordagem diferente para a segurança e a diplomacia. A legenda aposta em um discurso de renovação e honestidade para atrair eleitores insatisfeitos com a gestão de Netanyahu. A disputa entre os dois partidos deve ser um dos pontos altos da campanha eleitoral.
Partidos árabes: a representação da minoria no Parlamento
A minoria árabe, que representa cerca de 20% da população de Israel, também tem seus representantes na disputa. Quatro partidos — Hadash, Taal, Raam e Balad — formaram a “Lista Conjunta”, uma coalizão criada para ampliar a voz da comunidade árabe no Knesset.
Cada um desses grupos tem suas próprias bandeiras, mas todos atuam em defesa dos direitos da minoria e contra a discriminação.
A presença da Lista Conjunta no Parlamento é vista como um contraponto às políticas de direita do Likud. Nas eleições de outubro, a coalizão deve tentar manter ou ampliar sua representação, em um cenário onde a guerra e o conflito com os palestinos são temas sensíveis para os eleitores árabes.
O resultado das urnas pode redefinir o equilíbrio de forças no Knesset e influenciar diretamente os rumos do novo governo.