Knesset e Likud: entenda como funciona a eleição em Israel em 2026

Eleições em Israel em 2026 podem definir continuidade de Netanyahu e rumo dos conflitos no Oriente Médio.

Bandeiras de Israel são vistas hasteadas perto do Knesset em Jerusalém, Israel, em 19 de março de 2025

Israel vai às urnas no dia 27 de outubro para eleger um novo Parlamento. A votação, a primeira desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, pode definir o futuro político do primeiro – ministro Benjamin Netanyahu e colocar em xeque a direção dos conflitos no Oriente Médio.

O pleito ocorre em meio a um cenário de polarização, onde a guerra na Faixa de Gaza e as tensões com o Irã dominam o debate entre os eleitores.

O sistema eleitoral israelense é complexo e, na prática, a escolha do primeiro – ministro não é direta. Quem define o chefe de governo é o próprio Parlamento, chamado de Knesset, por meio de uma votação interna entre os partidos. Por isso, o resultado das urnas em outubro será decisivo para determinar se Netanyahu continuará no poder ou se dará lugar a uma nova liderança.

Como funciona o Knesset e a eleição do primeiro – ministro

O Knesset é o Parlamento israelense e conta com 120 cadeiras. Durante as eleições, os partidos apresentam listas fechadas de candidatos. A distribuição das vagas é proporcional ao total de votos válidos: cada legenda que ultrapassar a cláusula de barreira de 3,25% dos votos ganha uma quantidade de assentos equivalente ao seu desempenho nas urnas.

Na prática, se um partido obtiver 50% dos votos, teria direito a 60 cadeiras, por exemplo.

Esse sistema proporcional força a formação de coalizões, já que raramente um partido consegue maioria absoluta sozinho. Após a eleição, o presidente de Israel convida o líder do partido com mais chances de montar um governo viável para tentar formar uma coalizão. É aí que o nome do primeiro – ministro é definido, por meio de uma votação interna no Knesset.

Likud: o partido de Netanyahu e sua história

O Likud, também conhecido como Partido Nacional Liberal, é a legenda do atual primeiro – ministro Benjamin Netanyahu. O grupo foi fundado em 1973 como uma coalizão de partidos de direita para a oitava eleição do Knesset. Desde então, tornou – se uma das forças políticas mais influentes de Israel.

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Historicamente, o Likud se opõe à criação de um Estado palestino e apoia as operações militares israelenses na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. A legenda defende uma linha dura em relação à segurança nacional e à expansão dos assentamentos judaicos.

A condução de Netanyahu na guerra contra o Hamas e nas tensões com o Irã será um dos temas centrais da campanha.

Yashar: a oposição que surge como alternativa

Do outro lado do espectro político está o Yashar, que significa “honesto” em hebraico. O partido é liderado por Gadi Eisenkot, ex – integrante do gabinete de guerra do atual primeiro – ministro. Eisenkot é visto por analistas como o “exato oposto” de Netanyahu e representa uma oposição clara à condução do governo nos conflitos com o Irã e nos territórios palestinos.

O Yashar se firma como uma alternativa ao Likud, defendendo uma abordagem diferente para a segurança e a diplomacia. A legenda aposta em um discurso de renovação e honestidade para atrair eleitores insatisfeitos com a gestão de Netanyahu. A disputa entre os dois partidos deve ser um dos pontos altos da campanha eleitoral.

Partidos árabes: a representação da minoria no Parlamento

A minoria árabe, que representa cerca de 20% da população de Israel, também tem seus representantes na disputa. Quatro partidos — Hadash, Taal, Raam e Balad — formaram a “Lista Conjunta”, uma coalizão criada para ampliar a voz da comunidade árabe no Knesset.

Cada um desses grupos tem suas próprias bandeiras, mas todos atuam em defesa dos direitos da minoria e contra a discriminação.

A presença da Lista Conjunta no Parlamento é vista como um contraponto às políticas de direita do Likud. Nas eleições de outubro, a coalizão deve tentar manter ou ampliar sua representação, em um cenário onde a guerra e o conflito com os palestinos são temas sensíveis para os eleitores árabes.

O resultado das urnas pode redefinir o equilíbrio de forças no Knesset e influenciar diretamente os rumos do novo governo.