Netanyahu ordena retirada de postos avançados não autorizados na Cisjordânia, dizem fontes

O primeiro – ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou a retirada de postos avançados de colonos não autorizados na Cisjordânia, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas neste domingo (6). A decisão ocorre sob pressão dos Estados Unidos para que Israel contenha ataques de colonos contra palestinos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A medida vale para estruturas instaladas sem autorização oficial do Estado de Israel. Em geral, esses postos são compostos por caravanas pré – fabricadas e reúnem poucos colonos. Ainda não havia informação sobre a data de início da operação.
Ordem ocorre após pressão dos Estados Unidos
As fontes disseram que Netanyahu decidiu agir em resposta às cobranças dos Estados Unidos, principal aliado de Israel. No sábado (5), o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, chamou colonos violentos de terroristas e defendeu punições severas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A declaração foi feita depois de uma reunião com vários palestinos – americanos em uma cidade palestina da Cisjordânia. Huckabee afirmou que Israel deveria combater os colonos envolvidos no que classificou como “comportamento criminoso e terrorismo”, também por ser do próprio interesse do país.
O site israelense Ynet informou que a ordem poderia atingir cerca de 100 postos avançados espalhados pelo território ocupado. O gabinete do primeiro – ministro israelense e as Forças de Defesa de Israel (IDF), que normalmente participariam da retirada dessas estruturas, não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Postos avançados e assentamentos na Cisjordânia
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, foi questionado sobre a notícia durante uma conferência em Jerusalém. Ele disse que Netanyahu havia dado “uma instrução para retirar os locais construídos nas Áreas A e B”, regiões da Cisjordânia onde vive a maioria dos palestinos.
De acordo com os Acordos de Oslo, acordos de paz provisórios firmados na década de 1990 entre Israel e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), a Cisjordânia foi repartida em três áreas: A, B e C.
Leia também
Smotrich também é colono, supervisionou projetos habitacionais em assentamentos e reconheceu formalmente casas construídas ilegalmente. Embora tenha dito que discordava da ordem de Netanyahu, ele afirmou que o governo avançou significativamente na expansão dos assentamentos na Área C.
Levantamento da Peace Now, organização israelense que critica a expansão dos assentamentos e defende uma solução de dois Estados, aponta a existência de 340 postos avançados na Cisjordânia. O número se soma a 146 assentamentos reconhecidos formalmente pelo governo israelense.
Condenações a ataques de colonos
O Estado de Israel, em algumas ocasiões, demoliu postos avançados formados por essas estruturas. Em outros casos, porém, reconheceu os locais oficialmente, o que permite o acesso a financiamento governamental.
Órgãos das Nações Unidas e a maioria dos governos consideram a Cisjordânia um território ocupado sob controle militar. Israel contesta essa posição e afirma que o território é disputado, e não ocupado.
No mês passado, colonos israelenses estiveram em uma aldeia próxima, incluindo uma propriedade pertencente a um palestino – americano, antes que militares os retirassem da área. Moradores palestinos disseram que continuam enfrentando assédio e intimidação praticados por colonos israelenses.
O governo israelense condenou os ataques, mas os responsáveis raramente são presos e, com ainda menos frequência, processados. A ordem anunciada por Benjamin Netanyahu agora prevê a retirada dos postos avançados não autorizados, embora o início da operação ainda não tenha sido informado.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



