Khrushchov manda tirar o corpo de Stalin do mausoléu de Lenin, em Moscou, no Dia das Bruxas de 1961
Na Praça Vermelha, em Moscou, uma operação feita no Dia das Bruxas de 1961 reabriu o mausoléu de Vladimir Lenin e tirou dele o corpo de Josef Stalin. Não se tratava de ritual de Halloween. A ação fazia parte de um conjunto de medidas da União Soviética para enfraquecer o stalinismo e o “culto à personalidade” em torno do antigo líder.
Por ordem do então primeiro-ministro Nikita Khrushchov, o corpo foi enterrado em uma cova simples na Necrópole da Muralha do Kremlin. O túmulo recebeu apenas uma placa de mármore com as iniciais, o sobrenome e a data de morte do governante.
Stalin dividiu o mausoléu com Lenin por sete anos
Durante sete anos, o mausoléu de pedra no centro da Praça Vermelha abrigou os caixões transparentes de Lenin, para quem o monumento foi construído, e de Stalin. A ideia de preservar o corpo de Lenin partiu do Partido Comunista e contou com o apoio do próprio Stalin.
Para os revolucionários, o povo não poderia se despedir de uma figura tão amada sem a chance de vê-la. Manter o corpo com decomposição mínima prolongaria o respeito e o culto ao pai da União Soviética. Para isso, o governo optou por embalsamar Lenin com uma série de processos físicos e químicos, que até hoje precisam ser refeitos periodicamente para evitar a degradação.
Stalin, que governou por três décadas, morreu em 1953 com grande apoio político. Mesmo com os conflitos pessoais entre os dois, a população os via como dois lados da mesma moeda. Por isso, o partido deu a Stalin o mesmo tratamento honroso reservado a Lenin, e ele foi enterrado ao lado do antecessor, em um caixão de vidro próprio.
Desestalinização tenta desmontar o mito de Stalin
A reverência a Stalin, porém, não durou. Os líderes seguintes iniciaram um processo de reeducação política conhecido como “desestalinização”, com o objetivo de erradicar a violência e o autoritarismo do governo ao desconstruir o mito stalinista.
O principal responsável por esse movimento foi Nikita Khrushchov. Sua liderança também ficou marcada pelo avanço tecnológico, pela Guerra Fria com os Estados Unidos e pelo início da fragmentação dos territórios soviéticos.
Congresso aprova a remoção do corpo de Stalin
Em 30 de outubro de 1961, o Congresso do Partido Comunista Soviético aprovou com unanimidade a retirada do corpo de Stalin do Mausoléu da Praça Vermelha, o que deixou apenas Lenin exposto. O jornal The New York Times publicou no mesmo dia que a decisão era um “símbolo da derrota dos elementos da União Soviética que se opõem às reformas pós-Stalin”.
O jornal também registrou o depoimento da militante bolchevique Dora Lazurkina. Ela afirmou ao Congresso que “venerava” Vladimir mesmo depois de ser presa pela polícia do governante, mas que havia mudado de ideia por “ter conversado com Lenin, que vive em seu coração”.
Segundo o The New York Times, ela disse: “Ontem, eu falei com ele novamente, como se ele estivesse diante de mim e vivo. E ele disse que era desconfortável deitar ao lado de Stalin, que prejudicou tanto o partido”. A fala, de acordo com o jornal, foi recebida com “aplausos contínuos e estrondosos”.
A retirada começou na manhã seguinte, 31 de outubro, Dia das Bruxas na cultura ocidental. Não houve cerimônia, e apenas uma pequena equipe de coveiros esteve presente. Stalin foi enterrado junto a outros ícones do Partido Comunista, na Muralha Vermelha que circunda a praça.
Com o tempo, o túmulo ganhou uma decoração robusta e se tornou mais um ponto turístico da cidade. No início, porém, ele tinha apenas uma lápide simples e plana.
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