Juros da dívida pública federal atingem 12,68% ao ano em junho de 2026, maior taxa desde 2016

Em junho de 2026, o custo médio da dívida pública federal atingiu 12,68% ao ano, a maior taxa desde setembro de 2016, quando estava em 12,75%. Esses dados foram divulgados no relatório de estatísticas fiscais do Banco Central, que também revelou um déficit no setor público consolidado — que inclui a União, estados, municípios e estatais — superior a R$ 55 bilhões no mesmo mês.
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O resultado negativo foi amplamente impactado pelo governo central, que registrou um déficit aproximado de R$ 47 bilhões. As estatais contribuíram com uma perda de cerca de R$ 1,5 bilhão, enquanto os governos regionais, compostos por estados e municípios, somaram um déficit em torno de R$ 6,6 bilhões.
Pressão dos juros sobre as contas públicas
A analista de economia Lucinda Pinto destacou que os juros têm sido a principal razão para a pressão sobre a dívida pública. “Só no mês de junho foram R$ 110 bilhões em custos devido aos juros”, afirmou. Ela explicou que, ao somar a diferença entre receita e despesa ao custo dos juros, “o rombo primário chega a 166 bilhões de reais somente no mês de junho”.
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Além disso, Lucinda observou que a despesa com juros acumulada nos últimos doze meses ultrapassa um trilhão de reais.
A especialista ressaltou ainda que a dinâmica atual exige que o governo contraia dívidas para cobrir déficits crescentes e que essa dívida se acumula a um custo elevado. “A dívida está crescendo tanto e ela custa tão caro que esse rombo aumenta muito“, disse ela.
Enquanto isso, o Banco Central tenta frear a economia para reduzir a inflação.
Lucinda apontou que medidas destinadas a estimular a economia continuam injetando dinheiro no mercado, mantendo o consumo e alimentando a inflação. Esse ciclo gera um desafio adicional para as contas públicas.
Dívida bruta se aproxima dos níveis pandêmicos
O Banco Central informou que a dívida bruta — incluindo o governo federal, o INSS e os governos estaduais e municipais — subiu para cerca de 81,9% do PIB em junho, totalizando aproximadamente R$ 10,8 trilhões. Segundo Lucinda Pinto, esse índice se aproxima do patamar registrado durante a pandemia em 2021, quando alcançou 82,6% do PIB.
No contexto daquele período crítico, a taxa Selic foi reduzida para 2% ao ano — o menor nível da história — levando a relação dívida-PIB a recuar para 71,4% em 2022. Desde então, no entanto, houve um aumento contínuo da dívida pública devido ao incremento dos gastos governamentais e à manutenção de algumas medidas emergenciais mesmo após o fim da pandemia.
Além disso, com o crescimento da inflação, as taxas de juros voltaram a subir, atingindo 15% ao ano há alguns meses. Lucinda alertou sobre as perspectivas futuras: “Os juros continuarão altos e levará tempo até que possam cair”. Ela ainda mencionou projeções econômicas indicando uma relação dívida-PIB acima de 83% no curto prazo e potencialmente até 100% até o final de 2027.
As previsões do mercado indicam que a Selic deverá permanecer em dois dígitos — acima de 10% — até o final de 2028. Isso implica que “o custo do governo para rolar essa dívida continuará muito elevado”, alertou Lucinda Pinto.
Atualização em 28/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
Editoria:
Redação Economia
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