Julie, a última elefanta de circo de Portugal, vai para santuário no Alentejo

Depois de quase 40 anos no Circo Victor Hugo Cardinali, a elefanta africana é a primeira moradora do Pangea Elephant Sanctuary.

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No santuário, Julie pode escolher onde caminhar, quando descansar e quais partes do ambiente deseja explorar | Foto: Reprodução

Depois de quase 40 anos de vida no circo, Julie, a última elefanta de circo de Portugal, começou uma nova fase: foi transferida de forma permanente para um santuário no Alentejo.

A elefanta africana é a primeira moradora do Pangea Elephant Sanctuary, e a chegada dela foi anunciada no início de julho de 2026. No novo lar, terá espaço para explorar grandes áreas, tomar banhos naturais e desenvolver comportamentos próprios da espécie, longe da rotina dos picadeiros.

Da África ao circo

Julie não nasceu no circo. A história dela começou na África, de onde foi retirada ainda filhote, nos anos 1980. Depois de passar um período num zoológico alemão, chegou em 1988 ao Circo Victor Hugo Cardinali, com o qual se apresentou por quase quatro décadas, até a transferência.

O novo lar

No santuário, Julie recupera direitos básicos que lhe foram negados nos espetáculos. Pode escolher o ritmo das atividades e decidir onde caminhar ou quando descansar, sem horários de apresentação.

Essa liberdade permite que a elefanta percorra longas distâncias em terrenos variados, procure folhas e galhos para se alimentar e tome banhos de lama e de água doce.

A estrutura do santuário

O Pangea ocupa uma propriedade de cerca de 400 hectares entre Vila Viçosa e Alandroal, no distrito de Évora. A implantação está sendo feita em etapas.

O santuário aproveita uma antiga fazenda de gado e inclui projetos de recuperação ambiental da paisagem. As áreas continuam sendo preparadas para receber, no futuro, de 20 a 30 elefantes aposentados.

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Um marco para o bem-estar animal

A mudança de Julie fecha uma transição histórica nos espetáculos portugueses. Portugal aprovou em 2018 a proibição do uso de animais selvagens em circos, que entrou plenamente em vigor em 2024.

Com a transferência para um ambiente planejado para o seu bem-estar, chega ao fim, na prática, a presença de elefantes nesse tipo de entretenimento no país.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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