Julgamento de Lindsay Clancy, acusada de matar 3 filhos, é anulado após júri não decidir
A decisão abre caminho para um novo julgamento, enquanto a defesa de Lindsay Clancy questiona o juiz William Sullivan e cita doença mental.
O julgamento de Lindsay Clancy, enfermeira americana acusada de matar seus três filhos em 2023, foi anulado pelo juiz William Sullivan depois que o júri não conseguiu chegar a um veredito final unânime. A decisão foi tomada após uma votação de 11 a 1 em relação à absolvição de Clancy.
A defesa havia enviado ao juiz um apelo de sete páginas, no qual afirmava que uma “intervenção é necessária neste caso para evitar a anulação — evitável — de um processo que demanda tanto tempo e esforço e que despertou tamanha atenção pública”.
Mesmo após o pedido, Sullivan manteve a decisão e abriu caminho para um novo julgamento.
Juiz rejeita questionamento sobre jurado
Kevin Reddington, advogado de defesa de Lindsay Clancy, afirmou que o raciocínio do juiz “reflete um preconceito contra aqueles que sofrem de doenças mentais debilitantes”. A equipe também disse que, por causa desse viés, Sullivan deveria ser removido do caso.
Reddington ainda alegou que um dos jurados se recusava a seguir as instruções do juiz sobre dúvida razoável. A defesa citou informações repassadas pelo júri à corte para sustentar o argumento.
Sullivan, porém, declarou que não acreditava ser possível continuar questionando o jurado sobre as deliberações. Depois do apelo, o juiz confirmou a anulação do processo, o que permite a realização de um novo julgamento.
Entenda o caso de Lindsay Clancy
Clancy, de 36 anos, respondia por três acusações relacionadas às mortes dos filhos Cora, de 5 anos; Dawson, de 3; e Callan, de 8 meses. Os jurados também poderiam avaliar acusações menos graves de homicídio em segundo grau e homicídio culposo.
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Ninguém contesta que Clancy estrangulou até a morte os três filhos em janeiro de 2023. O crime ocorreu no porão da casa da família, em Duxbury, um subúrbio de Boston, e envolveu faixas elásticas de exercícios amarradas ao redor do pescoço das crianças.
Depois, ela se feriu com uma faca e saltou de uma janela do segundo andar, em uma tentativa frustrada de tirar a própria vida. A queda a deixou paralisada.
Durante o julgamento, Kevin Reddington tentou convencer os jurados de que a enfermeira deveria ser considerada inocente por motivo de insanidade. A defesa sustentou que ela era uma mãe amorosa e atravessava um episódio psicótico quando matou as crianças.
A acusação apresentou evidências de que, pouco antes das mortes, Clancy enviou o então marido, Patrick Clancy, para buscar um pedido de comida e ir a uma farmácia. Antes, ela teria verificado no celular quanto tempo ele levaria para voltar para casa.
Quando retornou, Patrick encontrou Clancy caída no chão do quintal, com cortes nos pulsos e no pescoço. Após a chegada das equipes de emergência, ele correu para o porão, onde a esposa havia dito que as crianças estavam, e encontrou os três filhos com faixas elásticas de exercício ao redor do pescoço.
Patrick e outras testemunhas relataram que Clancy disse posteriormente ter ouvido a voz de um homem afirmando que, se ela não agisse, perderia a oportunidade. Reddington apresentou o relato como uma evidência de que ela sofria de psicose pós – parto no momento da tragédia, após meses de .
O julgamento foi transmitido pela televisão e reacendeu debates sobre como a das mulheres é tratada nos EUA e sobre a forma como o sistema jurídico do país lida com casos em que mães matam os próprios filhos. (Com informações da CNN e supervisão de Malu Baccarin.