Jovens cubanos marcham em Havana contra acusação dos EUA a Raúl Castro

Organizações juvenis convocaram marcha em Havana na sexta-feira (22) em defesa de Raúl Castro, alvo de acusação da Justiça dos EUA pela derrubada de aviões em 1996.

4 min

Foto: Reprodução

Jovens cubanos marcham em Havana contra acusação a Raúl Castro

Organizações juvenis de Cuba convocaram uma marcha para a sexta-feira (22) em rejeição à acusação apresentada pelos Estados Unidos contra Raúl Castro, figura histórica da Revolução Cubana. A mobilização surge após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentar formalmente uma acusação contra o ex-líder, relacionada à queda de duas aeronaves da organização Hermanos al Rescate em 1996, durante seu período como ministro da Defesa.

A acusação, ligada ao episódio que matou quatro pessoas, é vista pelas organizações juvenis cubanas como um ato de agressão imperialista.

Reação do Governo e Motivações da Marcha

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou a acusação como uma “ação política, sem nenhum embasamento jurídico”, e alertou para os esforços dos Estados Unidos em “justificar o desatino de uma agressão militar” contra a ilha. A marcha, organizada pela União de Jovens Comunistas (UJC) e pela Federação Estudantil Universitária (FEU), foi convocada para a Tribuna Anti-imperialista José Martí, em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Havana.

O objetivo é denunciar “os crimes do imperialismo” e defender a soberania cubana.

José Almeida, da coordenação de Havana da FEU, explicou que a marcha é uma resposta da juventude e do povo cubano à influência política e comunicacional dos Estados Unidos. “É uma mobilização justa em defesa de causas justas, como a defesa da soberania, da autodeterminação e do nosso direito de viver em paz”, afirmou.

Almeida ressaltou que o povo cubano busca uma paz que vá além da ausência de guerra, incluindo o desenvolvimento econômico e o acesso às necessidades básicas, que estão sendo afetadas pelas sanções impostas pelos Estados Unidos.

Aumento da Hostilidade Americana no Caribe

A convocação da marcha ocorre em um contexto de crescente tensão entre Cuba e os Estados Unidos. O Departamento de Justiça dos EUA acusou formalmente Raúl Castro, e em resposta, as Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram o deslocamento do porta-aviões USS Nimitz, juntamente com um grupo de ataque naval, para o Caribe.

Leia também

Essa operação, coordenada pelo Comando Sul dos Estados Unidos, visa demonstrar a presença militar americana na região.

Ameaças e Exercícios Militares dos EUA

O Comando Sul dos Estados Unidos descreveu o USS Nimitz como “o epítome da preparação e da presença, do alcance e da letalidade sem igual, e da vantagem estratégica”. O navio, que já participou de operações em Taiwan e no Golfo Pérsico, está atualmente envolvido na operação Southern Seas 2026, que inclui exercícios conjuntos com a Marinha do Brasil frente à costa do Rio de Janeiro.

A presença do USS Nimitz no Caribe intensifica as tensões e demonstra a determinação dos Estados Unidos em manter sua influência na região.

Em meados de 2025, o USS Nimitz participou da chamada “Guerra dos Doze Dias”, prestando apoio nos bombardeios realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Após retornar à costa oeste dos Estados Unidos em dezembro, o porta-aviões iniciou, a partir de março, a turnê Southern Seas 2026 (“Mares do Sul 2026”), uma operação coordenada pelo Comando Sul dos Estados Unidos e pela Quarta Frota dos Estados Unidos, que consiste na circunavegação completa do continente sul-americano.

A missão começou no Panamá, onde um dos destróieres de escolta atracou no Porto de Cruzeiros de Amador. Posteriormente, o grupo naval seguiu pelo Atlântico e, em meados de março, realizou exercícios conjuntos com a Marinha do Brasil frente à costa do Rio de Janeiro.

Contexto e Perspectivas

A marcha dos jovens cubanos representa uma expressão de resistência e um chamado à paz, em um cenário de crescente hostilidade e ameaças por parte dos Estados Unidos. A mobilização busca destacar as dificuldades enfrentadas pela população cubana e denunciar o impacto das sanções econômicas impostas pelo governo americano, além de reafirmar o compromisso com a soberania e a autodeterminação do país.

Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.

A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.