João Fonseca chega a 50 mil seguidores em um ano e já fez campanhas com Adobe, Nestlé e iFood
Em apenas um ano, o criador de conteúdo João Fonseca alcançou 50 mil seguidores e passou a viver da produção de vídeos em São Paulo. O paulista de Tremembé, de 26 anos, mistura audiovisual tradicional com stop motion feito à mão.
O formato já atraiu marcas como Deezer, Adobe, Nestlé e iFood. Antes de depender só dessa renda, Fonseca fez trabalhos freelance e formou uma reserva financeira, o que ele considera indispensável para quem quer viver de internet.
Vídeos com papel recortado e animação quadro a quadro
João funde trechos filmados com animações feitas quadro a quadro. Todos os recursos visuais são desenhados em papel, recortados e animados, um processo que exige tempo e paciência.
Com isso, a retenção dos vídeos fica acima da média.
“Eu sinto que os criadores estão ficando um tanto quanto preguiçosos. Por isso vou na direção contrária. Eu quero que o processo dê trabalho porque isso aumenta a régua. Meu conteúdo se torna difícil de replicar. Foi uma maneira que encontrei de alcançar a originalidade”, disse Fonseca.
A chamada “Teoria da Internet Morta” sustenta que o conteúdo gerado por máquinas acabará superando o produzido por humanos. Atualmente, estimativas já apontam para uma divisão 50/50 em texto, e João caminha na contramão desse movimento.
Marcas pagam pela identificação e pela raridade
Além da técnica, Fonseca aborda temas do cotidiano de quem tem 20 e poucos anos no Brasil. É essa identificação, somada ao formato, que torna o trabalho atraente para as empresas.
“Eu encontrei, sem querer, um conteúdo que gera muita identificação nas pessoas, mas que também é muito bom para marcas. Por isso consegui monetizar muito cedo. Por conta da qualidade do produto”, afirmou o criador. Ele conta que a entrega varia conforme a marca, mas a maioria dos clientes se interessa pela raridade do que já produz.
Na campanha com a Adobe, o primeiro contato soou estranho. “Lembro que com a Adobe eu comecei falando de pilha palito e eles ficaram ‘como assim? O que isso tem a ver com PDF?’ Eles confiaram e o resultado foi uma das publicidades mais elogiadas que fiz”, relatou Fonseca.
Para ele, quanto mais resultados a abordagem entrega, maior a autoridade e a confiança das marcas no seu trabalho.
Da faculdade de Relações Públicas ao planejamento financeiro
João começou a produzir para a internet aos 15 anos, inspirado por criadores do YouTube como Whindersson Nunes e Christian Figueiredo. Aos 20, tentou uma carreira tradicional em Ciências Contábeis, abandonou o curso e foi trabalhar em uma agência de marketing digital.
Ele também fez freelas como videomaker e passou três anos na equipe de marketing digital da dupla Fernando & Sorocaba. Hoje ele cursa Relações Públicas em São Paulo, cidade para onde se mudou para estudar.
A capital paulista é a segunda cidade mais cara do país, com custo médio de 2,6 salários mínimos por mês, ou R$ 4.270. No início, João contou com o apoio dos pais para se manter. Só depois de se estabelecer é que deu o salto para viver apenas de conteúdo.
“O criador precisa ter essa cabeça de negócios também, né? A criação de conteúdo não dá uma renda estável. Tem momentos de muita renda e momentos de praticamente nenhuma. Antes de dar esse tiro eu fiz muito freela, acumulei muito caixa pra me sentir confiante nessa empreitada”, afirmou Fonseca.
Ele diz que hoje dá ainda mais importância ao planejamento e não vê a criação como única fonte de renda. Para ele, também é preciso explorar outras frentes. “Você precisa se dedicar. É o preço que muitas pessoas não querem pagar, mas é preciso encarar o conteúdo como um trabalho de verdade. Quando você se esforça, você com certeza colhe os frutos”, concluiu o criador.
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