Sobrevivente de Ebola diz a crianças no Congo: “Eu também passei por isso”

Curado em setembro após 18 dias de tratamento, Jerkis Mahamba, de 29 anos, tem imunidade e pode pegar no colo crianças que os pais não podem tocar em Butembo.

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Jerkis Mahamba, sobrevivente do Ebola visto através da janela de vidro de uma ala de isolamento na província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo 28 de outubro de 2026 REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere
Jerkis Mahamba, sobrevivente do Ebola visto através da janela de...
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Sempre que ouve uma criança chorar na ala de Ebola em Butembo, no leste da República Democrática do Congo, Jerkis Mahamba veste o equipamento de proteção e vai até ela. Ele conhece bem o sofrimento dos pequenos pacientes, porque já passou pela mesma doença no mesmo centro.

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Segundo a Reuters, que o entrevistou no hospital do bairro de Kitatumba, na cidade, o jovem de 29 anos hoje trabalha com crianças internadas.

Mahamba contraiu o vírus em setembro e levou 18 dias para se recuperar no tratamento. Essa experiência lhe deu imunidade contra a cepa que circula pelo Congo. Na prática, ele consegue pegar no colo crianças cujos pais não podem tocá-las.

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Um sobrevivente no meio das crianças

Em muitos momentos, os pequenos precisam apenas de um abraço. Em outros, querem ser embaladas para voltar a dormir ou simplesmente conversar. Mahamba diz que costuma se apresentar logo de início. “Eu também passei por isso”, afirma ele. “Peço que não percam a esperança”, disse à Reuters.

Ele se lembra bem de como foi a própria doença: vômitos, falta de apetite e dificuldade até para tomar os remédios. Mesmo curado, ainda precisa usar equipamento de proteção e desinfetar a roupa antes de sair da enfermaria, para não levar o vírus para fora. “Eu os pego no colo e, aos poucos, tento colocá-los de volta na cama”, contou. “Quando estão deitados, procuro brincadeiras ou atividades para mantê-los ocupados. Quando finalmente adormecem, posso sair do quarto.”

Os familiares acompanham tudo do lado de fora, por uma janela de vidro. Kambale Syavula Volonté, tio de uma das crianças, disse que se sente frustrado por não conseguir chegar mais perto. “Nosso amor pelos nossos filhos é muito forte”, afirmou.

Epidemia já soma mais de 10 mil casos no Congo

O Congo registrou mais de 10 mil casos de Ebola desde que o surto foi declarado, em maio, e mais de 5.100 mortes. Com isso, a epidemia se tornou a segunda maior já registrada. Butembo é um dos epicentros, perto da fronteira com Uganda.

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Antes de se contaminar com o vírus de um parente, Mahamba vendia material escolar nas ruas da cidade. Depois da recuperação, a organização humanitária MSF (Médicos Sem Fronteiras) o contratou para trabalhar no hospital, ao lado de um grupo cada vez maior de sobreviventes que atuam na linha de frente.

Alguns sobreviventes fazem companhia aos pacientes nas enfermarias. Outros limpam e desinfetam quartos e equipamentos. Há ainda os que visitam aldeias e comunidades remotas para combater a desinformação e o estigma que cercam o surto, segundo o Dr.

Toussaint Selemani, chefe do centro administrado pela MSF.

Rumores e violência dificultam o trabalho

Boatos sem base dizem que a epidemia faz parte de uma conspiração estrangeira, e outros afirmam que os profissionais de saúde espalham a doença. Essas histórias já provocaram violência. No final do mês passado, jovens armados com facões atacaram dois agentes comunitários de saúde que faziam campanhas de conscientização.

Um deles morreu e o outro ficou ferido.

Mahamba também atua fora do hospital. Ele lembra o medo que sentiu quando a doença avançava e amigos ao redor adoeciam. Hoje, mostra às pessoas fotos de quando estava doente e pede que se protejam. Ainda assim, a maior parte do tempo dele é dedicada ao hospital, onde trabalha com as famílias e fica atento ao choro das crianças nas enfermarias de isolamento.

“No âmbito comunitário, um sobrevivente pode se tornar um embaixador poderoso na luta contra a doença”, disse Selemani. “Seu depoimento ajuda a combater o medo e o estigma e pode incentivar as pessoas com sintomas a procurarem atendimento imediatamente em um centro de tratamento.” Segundo ele, pacientes isolados costumam sentir estresse e medo de morrer. “Quando encontram alguém que passou pela mesma provação e sobreviveu, isso pode restaurar a esperança.”

A Redação Saúde e Educação reúne a cobertura do Clique Fatos sobre saúde, bem-estar e educação. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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