Interlagos tem 60% de chance de chuva na sexta, 80% no sábado e chuva leve o dia todo na corrida

Segundo o Climatempo, a localização do autódromo entre as represas Billings e Guarapiranga e o calor do asfalto favorecem nuvens carregadas durante o GP de São.

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Pilotos da Fórmula 1 reunidos no Autódromo de Interlagos | Foto: Reprodução/CNN Brasil

O Grande Prêmio de São Paulo, disputado no Autódromo de Interlagos, na zona sul da capital, tem previsão de tempo nublado e chance de pista molhada nos três dias do evento. Segundo o Climatempo, a chuva deve aparecer em todas as sessões, com probabilidade que sobe ao longo do final de semana.

A etapa brasileira combina a emoção da corrida com o famoso S do Senna e com a chuva, que já afeta o planejamento das equipes e a percepção do público.

Previsão aponta chuva em todos os dias do fim de semana

Nos treinos livres (06), a previsão é de muitas nuvens à tarde e 60% de chance de chuva leve. Na classificação de sábado (07), a probabilidade sobe para 80%, com pancadas em trechos da pista.

Para o dia da corrida (08), o Climatempo prevê chuva leve e persistente durante todo o dia.

Localização e calor de Interlagos favorecem as nuvens

Segundo Robson Costa, engenheiro ambiental e professor da Estácio, a localização do autódromo ajuda a explicar a frequência da chuva. O complexo, que também recebe o Lollapalooza e o festival Interlagos, fica entre as represas Billings e Guarapiranga, em um relevo acidentado a cerca de 800 metros de altitude.

Costa afirma que as represas não geram chuva por si só. Mesmo assim, a evaporação e a umidade da região interagem com o calor do asfalto escuro, sobretudo na transição entre primavera e verão, em novembro.

“Esse ar quente e instável colide frontalmente com a brisa marítima que sobe a serra entre o início e o meio da tarde, justamente o horário padrão das classificações e largadas, detonando a formação vertical e explosiva de nuvens Cumulonimbus em questão de minutos”, explica Costa.

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Chuva já marcou a corrida em diferentes décadas

O GP de São Paulo já foi marcado por chuva diversas vezes desde a primeira realização em solo brasileiro, em 1972. Naquele ano, não choveu, e a corrida foi disputada em 30 de março como prova extracampeonato para homologar o Brasil no campeonato.

Em 1974, porém, a corrida de 27 de janeiro precisou ser interrompida por causa da chuva, na volta 32. Já em 1993, a tempestade foi um dos fatores decisivos para a vitória de Ayrton Senna, conhecido também por pilotar bem na chuva.

Outros episódios marcaram a história da prova. Em 2003, houve muita chuva e vários acidentes. Em 2008, a chuva esteve presente na disputa entre Lewis Hamilton e Felipe Massa. Em 2016, a chuva provocou duas bandeiras vermelhas, e em 2024, o temporal provocou confusões.

“Longe de ser mero azar ou coincidência de calendário, existe uma engrenagem geográfica, atmosférica e física que transforma o autódromo em uma verdadeira panela de pressão climática”, destaca Costa.

Pista molhada muda estratégia e visibilidade dos pilotos

Pista molhada, em qualquer corrida, altera o planejamento das equipes e torna os resultados mais imprevisíveis. Os carros usam pneus de acordo com a condição da pista, como temperatura e umidade.

Pneus para pista seca são lisos, para ganhar aderência no asfalto. Quando a pista fica molhada, os sulcos passam a ser necessários para escoar a água. Nesse cenário, as equipes precisam decidir o momento certo de um pit stop para trocar por pneus de chuva.

Em caso de instabilidade e trechos molhados, a decisão exige ainda mais cautela, e a estratégia de cada equipe pode gerar surpresas. Além disso, o tempo fechado prejudica a visibilidade dos pilotos.

Costa completa que o clima chuvoso de Interlagos pode se intensificar com as mudanças climáticas, o que aumenta a imprevisibilidade do GP. Segundo ele, temperaturas mais altas elevam a capacidade da atmosfera de reter vapor d’água, transformando garoas em tempestades e aumentando o risco à segurança dos pilotos.

“O resultado prático para a corrida são volumes torrenciais caindo em janelas brevíssimas, acompanhados de rajadas de vento e alagamentos pontuais que saturam a drenagem da pista”, conclui o especialista.

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