Homem do Gelo, múmia de 5.300 anos achada nos Alpes, tem as tatuagens mais antigas já encontradas
Em 1991, a descoberta de uma múmia conhecida como Homem do Gelo, nos Alpes, mostrou que marcar a pele humana já era praticado na Idade da Pedra. O corpo preservado, de 5.300 anos, exibia linhas azuis gravadas na pele.
Cientistas identificaram essas linhas como as marcas de tatuagem mais antigas já encontradas, mas também admitem a hipótese de que fossem registros de tratamentos terapêuticos milenares. Estudar esses vestígios passou a ser peça central para entender como a pigmentação do corpo surgiu na humanidade.
De rituais de fertilidade a proibições religiosas
Pesquisadores avaliam que a tatuagem nasceu da vontade de fixar no corpo as pinturas usadas por determinados povos, permitindo que cada pessoa carregasse a própria trajetória gravada na pele.
Além da múmia dos Alpes, restos de múmias egípcias femininas datadas de 2160 aC., como a de Amunet, exibiam desenhos no abdômen ligados a cultos de fertilidade no Egito Antigo. Ao longo dos séculos, as marcas passaram a servir a rituais, à identificação social, à ornamentação e até à camuflagem.
No Império Romano, a técnica ganhou outro uso: marcar prisioneiros e escravos. Mais tarde, no Ocidente, o cristianismo a proibiu, apoiado em preceitos do livro bíblico de Levítico, que vetava incisões no corpo por causa dos mortos, e a prática perdeu espaço.
Cook documenta o “tatau” e a máquina elétrica muda o ofício
A tradição voltou a ser conhecida no Ocidente em 1769, quando o navegador James Cook registrou, na Polinésia, o hábito de injetar pigmentos sob a pele, chamado de “tatau“.
Anos depois, Charles Darwin constatou que não havia nação no planeta que ignorasse a arte, presente desde os povos indígenas americanos até os esquimós. A virada veio com a máquina elétrica, inventada em 1891, que impulsionou o ofício na Europa e nos Estados Unidos.
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Antes associada a marinheiros e presidiários, a tatuagem se popularizou entre o público jovem no final do século 20.
Como cada sociedade usava as marcas no corpo
Em diferentes regiões do mundo, os povos criaram tradições corporais próprias. Na Polinésia e no Taiti, a marcação indicava a classe social e tinha raízes na mitologia local.
Na Nova Zelândia, os desenhos espiralados maori sinalizavam a hierarquia entre os homens livres. Já as cabeças tatuadas dos chefes eram guardadas pelas famílias como relíquias depois da morte. No Japão, a técnica chegou a cobrir o corpo inteiro, padrão que mais tarde ficou ligado à máfia Yakuza.
Na Índia, a henna, pintura temporária, virou parte das celebrações de casamento. Já em tribos africanas do Sudão, a escarificação se firmou por meio de incisões feitas em três etapas ao longo da vida das mulheres.
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