Edgar Morin morre aos 104 anos; filósofo da complexidade perdeu a mãe aos 10 e soube só no funeral

O filósofo e pensador francês Edgar Morin faleceu em 2026, com 104 anos. Ele deixou uma trajetória intelectual de cerca de oito décadas, marcada pela ideia de complexidade e pela conexão humana.
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Mesmo na velhice, Morin dizia encontrar na curiosidade pela vida o principal motivo para manter a paixão por projetos, objetivos e pela contemplação do mundo. Dúvidas, ambição e vínculos afetivos o mobilizavam todos os dias.
Quem foi Edgar Morin?
Nascido em 8 de julho de 1921, em Paris, ele participou da Resistência Francesa durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. Para ele, aquele período foi uma passagem pessoal, da luta pela sobrevivência à disposição de se arriscar por causas coletivas.
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Desse tempo nasceram seus primeiros sentimentos de fraternidade e a esperança de construir uma sociedade mais igualitária. Ele se tornou um dos pensadores franceses mais populares ao unir sociologia, filosofia, política, antropologia e ciências naturais.
Sua obra mais conhecida é a série literária “O Método”, na qual desenvolveu o pensamento da complexidade. Sua formação, segundo o próprio texto de referência, foi baseada principalmente em obras de Beethoven, René Clair, Degas e Dostoiévski.
Uma infância marcada pela perda
Aos 10 anos, Morin perdeu a mãe, que morreu durante uma viagem de trem. A família tentou esconder o fato alegando que ela teria feito uma viagem, e a verdade só apareceu no funeral.
Em entrevista ao Le Monde em 2022, o filósofo definiu a experiência como “uma experiência de solidão absoluta e perda irreparável”. Apesar do ressentimento em relação ao pai, ele afirmou que herdou dele a alegria de viver.
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Ainda criança, desenvolveu a convicção de que a existência humana é marcada pela tragédia e pela necessidade de amor e fraternidade. Na solidão, encontrou refúgio na literatura, no cinema, na música e nas artes, e começou a construir uma forma de lidar com a complexidade da vida sem explicações simplistas.
Curiosidade como motivo para continuar
Na mesma entrevista, ele resumiu sua relação com a vida e a morte: “Enquanto eu for impulsionado pelas forças da curiosidade, do interesse, da amizade e do amor, não penso na morte”. A frase não nega que a velhice tem tempo limitado, mas parte de uma consciência que nasce justamente dessa percepção.
Em vez de se fixar no fim inevitável, Morin usava o tempo que restava para aproveitar o que ainda o estimulava, como relações pessoais, perguntas e a realização de projetos. Para ele, a curiosidade abre espaço para temas pouco compreendidos e mantém o interesse pelo cotidiano e pelas pessoas, sejam conhecidas ou novas.
A amizade, por sua vez, preserva o diálogo e a memória compartilhada. Essa estratégia, segundo a reflexão do pensador, não busca impedir o envelhecimento, e sim aceitá-lo sem que cada ano pareça trazer a sensação de que não há mais nada a descobrir.
Projetos e pequenos hábitos até o fim
Aos 100 anos, Morin admitia pensar no desaparecimento do próprio “eu”. Afastava esses pensamentos por meio de “experiências místicas”, como apreciar uma música, uma paisagem, uma pessoa ou a natureza, deixando-se levar pelos seus mistérios e encantamentos.
Ele seguia com projetos ativos e mostrava que sempre há tempo para criar, se relacionar e planejar. Para ele, passado, presente e futuro se misturavam em uma rede de possibilidades.
No dia a dia, com redução de ritmo e respeito aos próprios limites, ele sugeria pequenos caminhos para não cair no marasmo. O primeiro era aprender algo novo. Também indicava cultivar amizades, criar pequenos projetos e buscar novos interesses em rotinas antigas.
Ao não tratar o tempo restante como contagem regressiva, Morin mostrou que estar vivo significa continuar disponível para surpresas, mesmo quando o passado ocupa muito mais espaço do que o futuro.
Editoria:
Redação Variedades
A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



