Guerra no Sudão: Conflito atinge quarto ano e crises humanitárias se agravam

A Guerra no Sudão: Quarto Ano de Conflito
A guerra no Sudão completou seu quarto ano em 15 de abril de 2026, ofuscada por outras crises regionais e globais, apesar de ser considerada pelas Nações Unidas como a maior crise humanitária do mundo. O conflito opõe o exército sudanês, sob o comando do general Abdel Fattah al-Burhan, às Forças de Apoio Rápido (RSF), um grupo paramilitar liderado pelo general Mohamed Hamdan Dagalo.
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Os dois líderes se uniram em 2019 para derrubar o autocrata Omar al-Bashir, após o que Burhan assumiu a liderança do Estado.
Entretanto, após um golpe que desestabilizou a transição para um governo civil, surgiram desavenças entre eles sobre planos para uma nova transição e a integração de suas forças. Desde o início da guerra em 15 de abril de 2023, diversas milícias locais se juntaram ao conflito, além de potências estrangeiras.
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Pesquisadores da ONU, legisladores dos EUA e o exército sudanês alegam que os Emirados Árabes Unidos forneceram apoio através de países vizinhos, uma acusação que o país do Golfo nega. O exército sudanês recebe apoio de outras potências regionais, como Egito, Turquia, Arábia Saudita e Catar, em diferentes níveis.
Atual Situação do Conflito
No último ano, as RSF consolidaram seu controle sobre a vasta região de Darfur, sua base tradicional de poder, e começaram a estabelecer um governo paralelo. O exército sudanês mantém o controle da metade oriental do país. A luta se concentra atualmente na região de Kordofã, além de uma nova frente aberta pelas RSF ao longo da fronteira com a Etiópia, no sudeste.
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As campanhas terrestres foram substituídas como principal forma de combate, permitindo que as RSF superassem a superioridade aérea do exército.
Os bombardeios que marcaram as fases iniciais da guerra também aumentaram o custo humano do conflito, com pelo menos 700 civis mortos este ano, segundo as Nações Unidas. A guerra teve um impacto devastador sobre a população sudanesa, com a ONU estimando que quase três quartos da população necessita de ajuda humanitária.
A fome e o risco de fome foram declarados em áreas críticas de conflito, frequentemente agravados por bloqueios e obstáculos burocráticos impostos pelos envolvidos na guerra.
Impactos e Respostas Humanitárias
Doenças, como a dengue, se espalharam descontroladamente, enquanto o sistema de saúde do país entrou em colapso em várias regiões. Durante o conflito, as RSF realizaram ondas de assassinatos etnicamente direcionados, que pesquisadores da ONU caracterizam como genocídio.
A violência e a escassez de recursos dificultaram a obtenção de um número preciso de mortes. O Ministério da Saúde do Sudão informou à Reuters que registrou 11.209 mortes em diversos estados, mas especialistas afirmam que as mortes em excesso desde o início da guerra podem chegar a centenas de milhares.
Apesar da necessidade urgente, o apelo da ONU de 2026 por ajuda ao Sudão está apenas 17% financiado, em um contexto em que os EUA reduziram sua ajuda externa, doadores europeus estão cortando recursos e potências do Golfo focam em doações bilaterais.
Agências de ajuda relatam a diminuição de seus serviços, enquanto grupos de ajuda locais, como as Salas de Resposta Emergencial, tentam preencher a lacuna. No entanto, um estudo da agência Islamic Relief revelou que mais de 40% das cozinhas comunitárias geridas por esses grupos precisaram ser fechadas devido à falta de apoio.
Esforços para Encerrar o Conflito
A guerra atraiu a atenção de líderes mundiais, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, mas poucas tentativas de encerrá-la mostraram resultados promissores, devido a interesses regionais conflitantes. Os EUA lideraram um grupo conhecido como “Quad”, que inclui Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que apresentou uma proposta preliminar de cessar-fogo no ano passado.
Contudo, com as mudanças nas realidades do terreno, tanto o exército quanto as RSF, em momentos distintos, aceitaram e rejeitaram a mediação, sem perspectivas de um cessar-fogo à vista.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



