Cuba e Estados Unidos: Entenda os desentendimentos que perduram há mais de 60 anos

Cuba e Estados Unidos enfrentam tensões históricas, intensificadas após a captura de Nicolás Maduro. Descubra como essa crise afeta a ilha e as relações

03/05/2026 10:06

6 min

Cuba e Estados Unidos: Entenda os desentendimentos que perduram há mais de 60 anos
(Imagem de reprodução da internet).

Desentendimentos entre Cuba e Estados Unidos

Cuba e os Estados Unidos estão em desacordo há mais de seis décadas, desde a vitória da revolução socialista liderada por Fidel Castro. Contudo, na última década, as relações entre os dois países foram marcadas por altos e baixos. Com o segundo mandato do presidente Donald Trump, a situação se deteriorou.

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Após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, os Estados Unidos interromperam o fornecimento de petróleo da Venezuela para Cuba, privando a ilha de sua principal fonte de petróleo importado. Além disso, os EUA ameaçaram impor tarifas a qualquer nação que exportasse petróleo para Cuba, levando o México a suspender os envios planejados.

Trump afirmou repetidamente que os Estados Unidos estão em desacordo com Cuba e que o país caribenho está interessado em chegar a um entendimento para reduzir as tensões entre os dois vizinhos, que se agravaram ao longo dos anos.

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Origens do Conflito entre Cuba e EUA

As raízes do conflito entre Cuba e os Estados Unidos remontam a 1º de janeiro de 1959, quando um grupo de rebeldes, liderados pelos irmãos Fidel e Raul Castro, derrubou o governo de Fulgencio Batista, que contava com o apoio dos EUA. Imediatamente, o novo governo revolucionário começou a desmantelar o ambiente favorável aos negócios que há muito beneficiava os interesses americanos na ilha, ao mesmo tempo em que se aproximava da União Soviética, o que alarmou Washington durante a Guerra Fria.

Nos dois anos seguintes, as relações entre Havana e Washington se deterioraram rapidamente. Castro nacionalizou grandes setores da economia cubana e implementou reformas agrárias abrangentes, ameaçando diretamente os interesses econômicos dos EUA.

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Em resposta, o presidente Dwight Eisenhower suspendeu a cota de importação de açúcar de Cuba após a nacionalização da refinaria da Texaco, e os Estados Unidos impuseram um embargo econômico parcial, dando início a um dos bloqueios comerciais mais longos da história moderna.

Ruptura das Relações Diplomáticas

Em janeiro de 1961, as relações entre os dois países se romperam completamente. Washington cortou todos os laços diplomáticos com Cuba, e a embaixada dos EUA em Havana foi fechada, marcando uma separação definitiva que duraria décadas.

Aliança entre Cuba e a União Soviética

A aliança entre Cuba e a União Soviética começou a se formar logo após a revolução de Fidel Castro em janeiro de 1959. Com o agravamento das relações com os Estados Unidos, Castro buscou a proteção da União Soviética, ciente de que não sobreviveria sem um aliado forte.

Em junho de 1960, Cuba firmou um acordo com Moscou para garantir entregas de petróleo soviético, iniciando uma parceria política e econômica estreita.

Para os soviéticos, a proximidade de Cuba com os EUA tornava a ilha uma aliada estrategicamente valiosa na Guerra Fria. Em troca da lealdade cubana, a União Soviética forneceu assistência militar, empréstimos, petróleo e conselhos técnicos, além de comprar a maior parte da safra de açúcar cubana a preços acima do mercado, o que se tornou uma tábua de salvação financeira para o regime de Castro.

A Invasão da Baía dos Porcos

A Baía dos Porcos foi uma invasão militar fracassada de Cuba em abril de 1961, organizada e financiada pela CIA. Uma força de mais de 1.000 exilados cubanos, treinados e apoiados pelos Estados Unidos, tentou derrubar o governo de Fidel Castro desembarcando na costa sudoeste da ilha.

No entanto, a operação foi um desastre total, com a força invasora sendo rapidamente derrotada em três dias, resultando na captura de milhares de combatentes.

A invasão fracassada representou um grande constrangimento para o presidente dos EUA, John F. Kennedy, consolidando o poder de Castro e aproximando-o ainda mais da União Soviética, que declarou Cuba um país socialista.

Crise dos Mísseis Cubanos

Cuba e os Estados Unidos estiveram à beira de uma guerra nuclear durante a Crise dos Mísseis Cubanos em outubro de 1962. Após a invasão da Baía dos Porcos, Cuba temia novos ataques dos EUA e buscou proteção na União Soviética, que instalou mísseis nucleares na ilha, a apenas 145 quilômetros da costa americana.

Quando o presidente Kennedy descobriu os mísseis por meio de vigilância aérea, ordenou um bloqueio naval e exigiu a remoção imediata dos mísseis, levando as duas superpotências a um confronto nuclear.

A presença de mísseis soviéticos em Cuba provocou uma tensa confrontação entre Moscou e Washington, até que um compromisso foi alcançado: a União Soviética retiraria seus mísseis em troca de uma promessa americana de não invadir Cuba.

Mudanças durante a Presidência de Barack Obama

Em 2014, o presidente Barack Obama anunciou uma mudança significativa na política dos EUA em relação a Cuba, iniciando um processo para descongelar as relações entre os dois países. Em dezembro de 2014, Obama e o presidente cubano Raul Castro anunciaram um acordo histórico para restaurar as relações diplomáticas, representando o descongelamento mais significativo em décadas.

No entanto, a política não trouxe as mudanças esperadas por Obama.

Segundo Sebastian Aros, Diretor Interino do Instituto de Pesquisa Cubana da Universidade Internacional da Flórida, o regime de Castro usou a abertura para reforçar seu controle sobre a economia, em vez de implementar reformas. Aros explica que, enquanto Obama começou a levantar algumas sanções, o regime imediatamente implementou uma contra-reforma, eliminando o pequeno setor privado emergente e concentrando a economia sob o controle do exército, por meio de um conglomerado conhecido como GAESA, que passou a controlar cerca de 60 a 65 por cento da economia cubana.

Retorno às Tensões sob Donald Trump

Em 2017, o presidente Donald Trump começou a reverter várias das aberturas diplomáticas feitas durante o governo Obama, à medida que as relações se deterioraram novamente. Em 2021, a administração Trump colocou Cuba novamente em sua lista de patrocinadores do terrorismo, uma designação que foi fortemente condenada por Cuba.

Possibilidades de um Acordo Futuro

A possibilidade de um acordo entre Cuba e os Estados Unidos continua incerta e complexa. Trump sugeriu uma “associação amigável” com Cuba, enquanto autoridades cubanas se envolveram em conversas com o governo dos EUA em busca de alívio do bloqueio econômico.

No entanto, segundo Aros, as chances de um acordo significativo são pequenas. Ele destaca que, ao contrário da era Obama, quando o regime cubano se envolveu com os EUA em busca de benefícios financeiros, a situação atual é diferente.

Desta vez, Cuba tem pouco incentivo para cooperar com os termos de Washington. “Os Estados Unidos querem que o regime saia. O regime quer permanecer”, afirma Aros. Enquanto essa lacuna persistir, qualquer acordo significativo entre as duas nações parece improvável.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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