Grupo Ruiz Coffees pede recuperação judicial para renegociar R$ 775 milhões em dívidas
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O Grupo Ruiz Coffees, segundo maior produtor de café do Brasil, pediu recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 775 milhões em dívidas. A solicitação, apresentada em 8 de outubro, ocorre após três quebras consecutivas de safra e dificuldades para refinanciar operações.
Na terça-feira (20), o juiz Paulo Roberto Zaidan Maluf suspendeu por 30 dias as execuções de dívidas e impediu os credores de antecipar o vencimento de contratos por causa do pedido. A decisão também protege o café já colhido e os frutos que ainda estão nas lavouras.
Decisão impede credores de penhorar o café
Reconhecidas pela Justiça como essenciais à atividade do grupo, as sacas colhidas e a produção ainda nas plantações não podem ser arrestadas ou penhoradas para quitar dívidas, inclusive por credores que não estejam sujeitos à recuperação. O diretor financeiro Ricardo Pardo confirmou a medida à CNN.
O pedido foi apresentado em conjunto por Agropecuária JBP, Agropecuária JRF, Agropecuária Ruiz e Auto Posto Central Bálsamo, além de uma produtora rural individual. O processo tramita na vara regional empresarial e de conflitos relacionados à arbitragem da cidade de São José do Rio Preto.
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A consulta online do processo mostra a atualização mais recente sobre as dívidas, mas ainda não registra o deferimento da reestruturação. Antes de decidir sobre o processamento definitivo da recuperação judicial, a Justiça determinou uma verificação prévia das condições de funcionamento da companhia.
Com negócios nos setores agropecuário e de combustíveis, o grupo busca renegociar parte dos débitos em créditos para atravessar a crise financeira e continuar operando. “Trata-se de uma crise de liquidez, não de inviabilidade da operação, que segue rentável e em funcionamento normal”, disse Pardo.
À CNN, o diretor afirmou que a produção continua em atividade. A prioridade, segundo ele, é assegurar o custeio das lavouras no ciclo 2026/27 e preservar mais de 500 empregos diretos.
Quebras de safra reduziram o caixa disponível
Pardo atribuiu as perdas a uma sequência de eventos climáticos: a geada de julho de 2021, que teve efeitos nas safras seguintes, o calor extremo durante a florada de 2023 e a estiagem de 2024. O grupo calcula que deixou de produzir entre 14% e 28% dos volumes previstos internamente.
Como a receita de uma colheita ajuda a financiar a safra seguinte, as perdas repetidas reduziram os recursos disponíveis para manter os próximos ciclos. A alta do preço do café não compensou o impacto: uma parcela relevante da produção já tinha sido vendida a tradings, com valores definidos antes da valorização.
Com menos café para entregar, a empresa precisou reorganizar compromissos entre safras. As vendas antecipadas continuaram pressionando os ciclos seguintes e limitaram o benefício dos preços mais altos. “A mesma safra quebrada respondia por entregas físicas contratadas e pelas garantias cedidas sobre esses recebíveis”, afirmou Pardo.
O custo das dívidas também subiu, enquanto ficou mais difícil renovar financiamentos. Entre 2020 e 2023, o grupo tomou crédito para expandir áreas, instalar irrigação e modernizar a operação. Nos anos seguintes, a alta dos juros elevou o custo dos débitos atrelados ao CDI.
A companhia também enfrentou menos oferta de crédito ao agronegócio, cenário que Pardo relacionou à crise do complexo de grãos. Renegociações e novas captações que estavam em estruturação foram interrompidas, enquanto os vencimentos se concentravam em 2025 e 2026.
Para o diretor, a soma desses fatores levou ao pedido de recuperação.
Grupo negocia fazendas ligadas a operações com CRAs
Outra medida em discussão envolve propriedades vinculadas a operações com CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio, os CRAs). A proposta é transferir os imóveis usados como garantia para um fundo de investimento, enquanto o Grupo Ruiz conserva a posse e segue operando as áreas.
A empresa continuaria responsável pelo manejo, pela colheita e pela comercialização da produção. Pardo disse que o grupo já adotou esse modelo em 2025 e que ele permite negociar prazos e condições financeiras mais adequados ao ciclo do café.
As operações no mercado de capitais abrangem cerca de 1,5 mil hectares de café, aproximadamente um quinto da área cultivada pelo grupo, e outros 1,1 mil hectares de cana-de-açúcar. A companhia não revelou quais propriedades estão envolvidas nem informou se há condições para recomprá-las, alegando confidencialidade contratual.
As outras garantias fiduciárias ligadas a bancos e cooperativas continuam vinculadas às operações renegociadas, sem transferência de propriedade, segundo Pardo. Para a próxima safra, a empresa pretende priorizar o financiamento e o manejo das lavouras e manter a colheita, o beneficiamento e a comercialização.
Editoria:
Redação Economia
A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.