Governo Lula precisa de R 42 bi para bancar Bolsa Família, Desenrola e fim das bets em 2027

O governo federal terá que encontrar um ajuste de R 42,3 bilhões no Orçamento de 2027 para bancar três medidas anunciadas antes das eleições: o reajuste do Bolsa Família, o novo programa de renegociação de dívidas (Desenrola 3.0) e a proibição das chamadas bets.
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A conta foi calculada pela própria equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT.
O PLOA (projeto de lei orçamentária anual) de 2027 já foi enviado ao Congresso Nacional em agosto. Com as novas despesas e a redução de receitas, o texto precisa ser revisado. Em tese, a votação pelos parlamentares deve ocorrer até o fim de 2026.
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Na prática, porém, quem vai executar o orçamento é o governo do candidato eleito nas urnas. Os ministérios da área econômica afirmam publicamente que a peça continua dentro da meta fiscal.
Impacto do Desenrola 3.0 e das bets
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, detalhou em entrevista coletiva na sexta – feira (25) que o impacto orçamentário do novo programa de renegociação de dívidas só será sentido no ano que vem. A lógica é a seguinte: o Tesouro Nacional pretende comprar dos bancos cerca de R150 bilhões em dívidas da população, com um deságio médio de 90%.
Com isso, o custo estimado para os cofres públicos em 2027 é de R 15 bilhões.
Na prática, os brasileiros deixarão de dever para as instituições financeiras e passarão a ter dívidas com o governo, mas com valores bem menores. Ainda assim, o montante final pode variar. Isso porque o deságio obtido no “leilão” de dívidas com os bancos pode ser diferente do previsto inicialmente.
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Outro fator que pesa no orçamento é a proibição das bets. A receita que o governo esperava arrecadar com a exploração desse mercado estava prevista no PLOA de 2027. Com o fim das apostas, essa fonte de arrecadação simplesmente deixará de existir, o que obriga a equipe econômica a cobrir o buraco.
Reajuste do Bolsa Família
O terceiro item que pressiona as contas é o aumento do Bolsa Família. O piso do programa foi reajustado de R600 para R 691. Segundo cálculos da própria equipe econômica do governo federal, esse reajuste vai gerar um gasto extra de R 22 bilhões no ano que vem.
Os três fatores combinados —Desenrola 3.0, fim da receita das bets e novo valor do Bolsa Família — somam os R 42,3 bilhões que o governo terá de encaixar no Orçamento de 2027. A equipe econômica agora trabalha para ajustar a peça e enviar a versão revisada ao Congresso.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



