Governo lança plano inédito para ampliar crédito e liderança feminina no agro

O plano prevê consulta pública e criação de observatório para reduzir desigualdades de gênero no campo.

Pesquisa mostra que as mulheres enxergam melhor a potência do agronegócio

O Brasil abriu espaço para receber sugestões para a construção do Plano Nacional de Mulheres do Agro (PNMA), iniciativa inédita do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que pretende estruturar políticas públicas para a participação feminina no agronegócio.

Apresentado no GAFFFF (Global Agribusiness Forum) pela auditora fiscal Andrea Parrila, o plano visa reduzir desigualdades de produtividade entre gêneros — segundo o Censo de 2024, 19% dos estabelecimentos agropecuários são liderados por mulheres, e a redução dessa desigualdade poderia acrescentar US 1 trilhão ao PIB mundial.

Diagnóstico e desafios do setor

O plano parte do diagnóstico de que, apesar da presença feminina em atividades como produção, gestão, pesquisa e comercialização, ainda existem obstáculos para uma participação mais ampla. Entre os principais gargalos estão o acesso à titularidade da terra, a baixa presença feminina em espaços de decisão e a cobertura insuficiente de assistência técnica voltada às necessidades das mulheres.

A falta de dados desagregados por gênero também é um entrave para orientar políticas públicas. Por isso, o PNMA prevê a criação do Observatório das Mulheres Rurais do Brasil, que produzirá indicadores para subsidiar a implementação e avaliação das iniciativas.

O tema aparece como um eixo próprio do plano, dedicado à produção de conhecimento e avaliação de impacto.

Eixos estratégicos e prioridades

A proposta está organizada em sete eixos estratégicos. Um deles é produção, crédito e patrimônio, com medidas para ampliar o acesso a financiamento, titularidade de terras e sucessão nas propriedades. Outro eixo prevê ampliar a assistência técnica e extensão rural (ATER), além de capacitação e tecnologias adequadas às produtoras.

O plano também incentiva empreendedorismo, cooperativismo e maior inserção das mulheres nos mercados brasileiro e internacional. A participação feminina em posições de comando é prioridade, com ações para fortalecer a presença das mulheres nos espaços de decisão e governança do agronegócio.

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Medidas de qualidade de vida incluem inclusão digital, acesso a serviços essenciais e proteção à maternidade, com a sucessão feminina entre as novas gerações aparecendo nesse mesmo conjunto.

O último eixo trata do reconhecimento e transformação cultural, com iniciativas para aumentar a visibilidade das mulheres no setor e enfrentar barreiras culturais e de gênero. A estratégia do governo é transformar essas diferentes frentes em uma política nacional articulada, ampliando a autonomia econômica e o protagonismo produtivo das mulheres.

Cronograma e implementação

A expectativa é que as contribuições ajudem a consolidar a versão final do plano. A formalização por meio de portaria está prevista para novembro de 2026. Com a publicação ainda neste ano, a intenção é permitir que as primeiras ações comecem já no início de 2027.

O PNMA foi elaborado pelo Mapa em conjunto com a Câmara Temática das Mulheres Rurais, que reúne representantes do poder público, setor produtivo, instituições de ensino e pesquisa e organizações da sociedade civil. A proposta é que a construção seja participativa, com contribuições abertas até a consolidação final do documento.