Governo federal intensifica medidas populistas em 2026, alerta economista Felipe Salto

No contexto eleitoral de 2026, a prática de adotar medidas populistas por parte do governo federal se intensifica, conforme observou Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos. Essas estratégias visam estimular a economia através de gastos públicos, embora a pressão sobre as contas públicas continue sendo uma preocupação entre os analistas.
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Salto, que já ocupou o cargo de secretário da Fazenda e Planejamento do estado de São Paulo, afirma que, em ano eleitoral, há tendência a medidas populistas; o “pacote de bondades” do governo inclui desde linhas de crédito para motoristas até a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais.
Uma estimativa do CNN Money mostrou que o “pacote de bondades” deve injetar mais de R$ 200 bilhões na economia brasileira em 2026. No entanto, outras pressões, chamadas de “pautas-bomba”, aguardam aprovação no Congresso e podem gerar um impacto fiscal significativo.
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Salto alerta que “o pecado mortal está no Congresso”, enfatizando a necessidade de entendimento entre os Três Poderes para evitar gastos incontroláveis.
Impactos das pautas-bomba
Felipe Salto ressalta que muitas propostas apresentadas pelo Executivo buscam compensar os gastos, enquanto as pautas-bomba tendem a criar efeitos fiscais ao longo do tempo. De acordo com um levantamento da Warren Investimentos, caso todas as pautas-bomba em tramitação no Congresso sejam aprovadas, o impacto pode chegar a quase R$ 1,7 trilhão até 2035, considerando correção monetária.
Um exemplo disso é a proposta que altera as faixas do Simples Nacional, enviada pelo próprio Executivo. O aumento do limite para pequenas empresas pode acarretar um custo superior a R$ 40 bilhões aos cofres públicos, segundo cálculos da equipe econômica.
Além disso, essas propostas têm gerado tensão entre Legislativo e Judiciário.
Em sessão no meio de junho, o Senado Federal aprovou três pautas-bomba com impactos estimados em centenas de bilhões de reais, que devem ser questionadas no STF. Entre elas estão a renegociação das dívidas de produtores rurais, o aumento do piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas e mudanças nas regras de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e combate às endemias.
Dívida pública e disciplina fiscal
Felipe Salto também menciona que o Executivo tem feito propostas utilizando recursos “extra-orçamentários”, que não impactam diretamente o resultado primário, mas elevam a dívida pública. Um estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados prevê que a dívida pública federal ultrapasse 100% do PIB (Produto Interno Bruto) entre 2032 e 2035.
Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente do Senado), alerta sobre a situação fiscal do Brasil: “Temos uma dívida explosiva” e um nível elevado em relação ao PIB para um país emergente. Ele defende que é necessário gastar menos do que se arrecada para manter uma poupança pública capaz de cobrir os juros da dívida e controlar seu crescimento.
A pesquisa indica limites tanto para o aumento da carga tributária quanto para cortes nos gastos correntes. Segundo Paulo Bijos, consultor autor do levantamento, o Brasil parece estar próximo desse limite tributário e enfrentará pressão constante nos gastos públicos devido à transição demográfica em curso no país.
Propostas estruturais necessárias
Bijos acredita que é imprescindível que o novo governo apresente soluções estruturais no PLDO (projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias) para 2028 visando estancar o crescimento da dívida pública. Ele sugere que uma postura prudencial deve preservar distanciamento dos limites máximos da dívida pública para permitir maior espaço fiscal em momentos críticos.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
Editoria:
Redação Economia
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