R$ 298,4 bilhões em medidas do governo podem pressionar as contas públicas além de 2026

Economistas alertam que propostas recentes, como mudanças na jornada, benefícios a MEIs e passe livre, podem ampliar a pressão fiscal já a partir de 2027.

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Fiscal – déficit – real – reais
Fiscal – déficit – real – reais

As medidas anunciadas pelo governo federal podem pressionar as contas públicas para além de 2026, segundo economistas ouvidos pelo CNN Money. A estimativa da IFI (Instituição Fiscal Independente) é que o pacote de iniciativas já tenha mobilizado R$ 298,4 bilhões neste ano.

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O cálculo ainda pode crescer com propostas aprovadas ou anunciadas recentemente, cujos efeitos devem chegar aos próximos anos. Para Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, o impacto conjunto tende a ser negativo para as contas públicas.

Propostas podem elevar a pressão fiscal em 2027

“Ainda é difícil estimar o impacto fiscal de todas elas, principalmente porque algumas são bastante recentes. Mas o que dá para dizer é que indicam queda de arrecadação ou algum tipo de subvenção do governo para determinadas categorias. Então, o impacto acaba sendo negativo”, afirmou Kawauti.

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Na quarta-feira (14), o Senado aprovou por 75 votos a 1 a PEC (proposta de emenda à Constituição) que extingue a escala 6×1 e reduz de 44 para 40 horas a jornada semanal, sem corte de salários. No dia seguinte, a Casa aprovou o projeto de lei complementar (PLP) que aumenta o limite de receita bruta anual do microempreendedor individual (MEI) para R$ 140 mil a partir de 2028.

Enviado pelo governo federal ao Congresso na terça-feira (13), o PLP 267/2026 prevê perdoar dívidas de MEIs. A renúncia de receita estimada para a medida é de R$ 3,04 bilhões entre 2027 e 2029.

Lula também anunciou a intenção de propor ao Congresso uma PEC para instituir passe livre no transporte público aos finais de semana nas cidades que oferecem transporte coletivo.

Embora o mercado já considere parte dos efeitos das propostas em suas projeções, Kawauti diz que algumas podem comprometer as contas de 2027. “Muitas delas contratam um regime fiscal pior para 2027. Armam uma bomba fiscal para o primeiro ano do próximo mandato.

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Então, a sinalização disso é muito ruim”, afirmou.

Estimativa aponta impacto de R$ 195,6 bilhões até 2030

Na avaliação da economista, o perdão de dívidas e a ampliação do limite de faturamento do MEI estão entre as medidas com maior potencial de afetar as contas públicas no próximo ano. “Teremos uma arrecadação menor e uma colocação de dinheiro para comprar essas dívidas”, explicou.

Um levantamento da Warren Rena, feito por Felipe Salto, Josué Pellegrini e Daniel Ferraz, calcula que essas e outras iniciativas podem ter impacto fiscal de R$ 43,6 bilhões em 2027. De 2027 a 2030, o efeito acumulado pode chegar a R$ 195,6 bilhões.

Também estão entre os anúncios recentes o Desenrola 3.0, o fim das Bets e o Pé-de-Meia Universitário, divulgados entre o fim de setembro e o início de outubro. “Para todas essas medidas, a gente fala que aquela história de pouquinho em pouquinho acaba resultando em uma conta bastante grande”, disse Kawauti.

A economista afirmou que as contas públicas pioraram no fim do mandato e que a relação dívida-PIB cresceu ano a ano. A expectativa do mercado, segundo ela, é de continuidade dessa trajetória nos próximos anos. Kawauti atribuiu o quadro à falta de cuidado com as contas, não necessariamente ao volume de gastos, mas à maneira como os recursos são usados.

Lula, por sua vez, já prometeu manter políticas de responsabilidade fiscal em um eventual quarto mandato.

Ibovespa recua e juros futuros avançam

Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, afirmou que as medidas anunciadas em 2026 já afetaram a curva de juros e as expectativas de inflação. “Tivemos uma semana de correção de bolsa, elevação de câmbio, alta de juro futuro”, disse.

Após a aprovação da proposta sobre a jornada de trabalho, em meio à preocupação com o cenário fiscal, o Ibovespa caiu 1,06%. O principal índice da Bolsa brasileira se afastou do pico de 209 mil pontos registrado na semana anterior, enquanto a queda acumulada na semana chegava a quase 3,3%.

A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 atingiu 12,92%, alta de 22 pontos-base ante o ajuste de 12,704% da sessão anterior. O contrato para janeiro de 2035 subiu 22 pontos-base, para 12,835%, contra 12,613%. Foi a terceira sessão seguida de avanço das taxas.

O dólar fechou cotado a R$ 5,08, depois de se aproximar de R$ 5,10 durante o pregão. Parente disse que a percepção de risco e de juros elevados perdeu força na semana anterior diante da expectativa de mudança no governo. “Não havendo mudança, será relevante a virada desses indicadores, desfazendo a tendência de mercado recente”, acrescentou.

Na avaliação do especialista, o pacote afetou a credibilidade do governo entre investidores, tanto pelo possível viés eleitoral das iniciativas quanto pelo acúmulo de anúncios que, segundo ele, não dão a devida importância à responsabilidade fiscal.

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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