Governo deve pedir urgência em relatório da missão da UE sobre carnes, que pode levar 60 dias

O governo brasileiro pretende pedir urgência na publicação do que está no país para que a União Europeia avalie os controles sanitários da produção animal. Fontes envolvidas nas negociações afirmam que a análise pode levar até 60 dias para ser concluída.
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A definição é tratada como necessária para dar previsibilidade às empresas brasileiras antes do próximo ano, quando deve avançar a divisão das cotas de acesso preferencial ao mercado europeu previstas no acordo entre Mercosul e UE. Em 2026, o acesso provisório ocorre pelo sistema FIFO, sigla em inglês para “first in, first out”, com atendimento por ordem de chegada.
Auditoria mira aves, mel e estruturas de controle
A inspeção deve se concentrar em estabelecimentos de aves e de mel, laboratórios, fábricas de ração e órgãos estaduais de defesa sanitária de Mato Grosso e Paraná. A intenção é permitir que os exportadores ajustem a produção às exigências europeias antes da definição das cotas.
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O governo e o setor produtivo esperam que a auditoria ajude a acelerar a retomada das exportações de aves e mel. Ao final do procedimento, os europeus deverão verificar se o sistema brasileiro oferece as garantias sanitárias exigidas.
Caso a conclusão seja favorável, a Comissão Europeia poderá avaliar a retomada desses produtos. A expectativa de uma solução mais rápida, porém, não se aplica à carne bovina, que não foi incluída na inspeção desta vez.
Carne bovina enfrenta exigências de longo prazo
Para a carne bovina, o cenário é considerado mais complexo. As regras europeias envolvem rastreabilidade e controle sanitário durante todo o ciclo de produção, que pode levar no mínimo dois anos.
Por causa da medida adotada sobre o uso de antimicrobianos na produção do Brasil, as exportações devem ser totalmente bloqueadas para o bloco a partir de quinta – feira (3). A avaliação do setor e do governo é que a suspensão não deve ser revertida no curto prazo.
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O ciclo de produção do gado e as exigências de rastreabilidade dificultam uma resposta imediata. Um bovino que entrasse hoje no sistema poderia levar cerca de dois anos até o abate, o que amplia a insegurança dos produtores interessados no mercado europeu.
Setor cobra previsibilidade para investir
O setor produtivo questiona a avaliação do bloco sobre a confiabilidade dos controles brasileiros. A resistência cresce diante da possibilidade de que as exigências precisem ser cumpridas durante todo o ciclo de produção.
Para os produtores, não seria razoável assumir custos, adaptar o manejo e manter o animal dentro das regras europeias por dois anos sem a garantia de que a UE conservará os critérios atuais. Ao fim desse período, ainda haveria o risco de o bloco apresentar uma nova exigência ou chegar a outra conclusão.
A preocupação, portanto, vai além da questão sanitária e alcança a previsibilidade do mercado. Sem segurança de que o cumprimento das regras resultará na autorização das exportações, o produtor pode deixar de direcionar tempo e recursos a esse processo.
Enquanto se prepara para uma venda considerada imprevisível para a UE, o setor afirma que também pode deixar de investir em mercados com demanda consolidada, como a China. Por isso, defende uma solução em duas frentes: uma normativa para permitir a adequação dos produtores interessados no bloco, sem obrigar todos os exportadores, e outra baseada na negociação diplomática.
A avaliação é que o Brasil precisa obter dos europeus não apenas critérios claros, mas também previsibilidade sobre o que será considerado suficiente para a retomada das vendas.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



