Google recorre à Justiça da UE para suspender ordem de compartilhar dados com concorrentes

Google pede medida cautelar ao Tribunal Geral de Luxemburgo contra exigência da Comissão Europeia, alegando risco à privacidade de usuários.

Google alegou riscos à privacidade de usuários

O Google recorreu à Justiça da União Europeia para tentar suspender a ordem que o obriga a compartilhar seu vasto acervo de dados de busca com concorrentes, incluindo a OpenAI e outros serviços de inteligência artificial. O pedido foi feito ao Tribunal Geral de Luxemburgo, o segundo tribunal mais importante do bloco, e intensifica uma batalha jurídica que opõe a gigante de tecnologia às regras de concorrência europeias.

Na terça – feira (29), a empresa já havia levado a Comissão Europeia ao tribunal por causa da mesma determinação. Agora, o Google pede uma medida cautelar para barrar a exigência enquanto o mérito da ação não é julgado. Um porta – voz da companhia justificou o movimento afirmando que as regras representam um risco de danos graves à privacidade dos usuários europeus. “As medidas provisórias destinam – se a casos que representam um perigo iminente. É o caso do artigo 6.º, nº 11, que, como já dissemos, representa um risco de danos graves para a privacidade dos utilizadores europeus”, declarou.

A ordem da Comissão Europeia e os riscos apontados

Em julho, a Comissão Europeia— que também atua como autoridade antitruste no bloco — determinou que o Google abrisse seus dados de pesquisa para concorrentes. A ideia é permitir que mecanismos de busca alternativos e, sobretudo, chatbots com IA possam competir de forma mais equilibrada com a Busca do Google, ampliando as opções para empresas e consumidores.

A gigante de tecnologia, no entanto, reagiu afirmando que a medida compromete salvaguardas vitais de privacidade e segurança de milhões de europeus. A empresa sustenta que a abertura indiscriminada dos dados pode expor informações sensíveis e fragilizar sistemas de proteção já estabelecidos.

A Comissão, por outro lado, rebateu as críticas. Em nota, afirmou que suas decisões levam em conta a integridade e os recursos de segurança, além de garantir a proteção dos dados pessoais dos usuários finais. O órgão defende que a regulação é necessária para evitar que gigantes da tecnologia consolidem posições dominantes de forma abusiva.

O que está em jogo para o mercado de IA

A disputa tem implicações diretas para o futuro da inteligência artificial generativa. Empresas como a OpenAI dependem de grandes volumes de dados para treinar seus modelos de linguagem, e o acesso ao acervo do Google poderia acelerar o desenvolvimento de chatbots e assistentes virtuais mais competitivos.

Para o Google, ceder esses dados significa abrir mão de um dos seus principais ativos estratégicos. A empresa alega que a exigência cria um precedente perigoso, ao forçar uma companhia a compartilhar informações que foram construídas com investimentos bilionários ao longo de anos.

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O caso agora corre no Tribunal Geral de Luxemburgo, que deve decidir nas próximas semanas se concede ou não a medida cautelar solicitada pelo Google. Enquanto isso, a Comissão Europeia mantém a ordem em vigor, e a briga promete definir os rumos da regulação de dados e concorrência no continente.